Ensaio sob um novo mundo novo

O livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo , traz em inglês o nome Brave New World . A obra, escrita e publicada na década de 1930, faz...

O livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, traz em inglês o nome Brave New World. A obra, escrita e publicada na década de 1930, faz previsões para um mundo, no qual a vontade livre foi abolida. O autor estava certo sobre o que escreveu? O que esse livro tem para nos ajudar a entender o homem na pós-modernidade (ou modernidade líquida)? 
A abolição da liberdade volitiva é o que me traz, inicialmente, para esse ensaio. A escravidão tornou-se tão voluntária quanto controlável, e para o sucesso desse modelo social, basta retirar do sujeito a consciência da exploração e alienação. Pior do que desconhecer sua posição no mundo, o sujeito moderno escolhe não querer saber, ou seja, rejeita sua consciência voluntariamente. "Viver já é uma tragédia", provavelmente digam, "o negócio é se divertir, entreter-se e sorrir".
Cada habitante deste planeta, de qualquer país e condição econômica, vive sob um só sistema, aparentemente renovado o tempo todo, como um novo mundo novo. Na verdade, essencialmente igual. Vivemos sob uma ditadura, um Sistema Totalitário Mercantil. Não há vida fora dele. Por exemplo, quais as diferenças entre a China comunista e os EUA neoliberal? Nenhuma, a não ser pelas aparências, diferenças aparentes, mas não de conteúdo: são os países que mais emitem carbono e defendem suas posições irracionais fortemente, em nome de um deus, o Sistema Totalitário Mercantil.
Esse sistema é totalitário porque não permite exílio ou fuga: ou se vive pelo sistema, ou se morre por ele. Não há modo possível de vida, fora dele. Esse sistema, que impossibilita qualquer alternativa, é ditadorial e, por consequência, repressivo. Poderia-se pensar, como linha de fuga, numa revolução contra esse sistema escravagista, mas, nesse ponto, encontra-se novo e poderoso fator: a voluntariedade. Diferente de tempos antigos, nos quais negros eram escravizados e mantidos assim com violência, hoje desejamos ser escravos, sem ter consciência do que essa escolha significa.
A insegurança (o medo), é o principal elemento estimulado nos homens, pois permite a troca do pensamento pela adoção de soluções aparentemente simples, rápidas e mirabolantes. O medo é o sentimento que não permite mudar radicalmente de vida, medo de fracassar, de empobrecer, de se tornar isolado ou ridicularizado pela massa de amigos e parentes, medo até de ser diferente. Parece mais sensato fazer, aparentemente, o que todos fazem. O medo nos transformou em escravos voluntários. Somos uma maioria (populacional) de servidores medrosos operando para quem? Quem é a minoria?
Vivemos tão distantes da consciência que a maior transgressão, atualmente, é mostrar a realidade nua e crua. Toda transgressão é vigiada e, quando necessário, punida. O documentário Brad, uma noite mais nas barricadas (2007), fala-nos sobre isso. A Indymedia, conhecida no Brasil como CMI (Centro de Mídia Independente), tem forte ligação com a própria história de Brad Will , que entrava num evento jornalístico quando a mídia tradicional já estava de saída. O ativista foi assassinado em Oaxaca, no México, país que mais mata jornalistas na América, atualmente. Mas a violência é temida na sociedade e altamente reprimida (com violência pelo Estado).
A pena de morte, legalmente reconhecida, é cada vez mais aceita no Brasil, por exemplo. Embora há quem diga que a pena capital já é praticada por aqui, como mostram os recentes dados colocando dois estados brasileiros com as polícias que mais matam no mundo. O que fazíamos em nome de Deus (Santa Inquisição), fazemos hoje por outros substantivos. Antes, nos relatos bíblicos, Deus ordenava que seu povo buscasse a terra prometida. Hoje, adoramos outro deus (dinheiro), compramos e vendemos promessas. Se antigamente, o objeto principal da crença humana traduzia-se em Deus, hoje acreditamos não existir outro mundo possível, realizável, e por isso nos entregamos voluntariamente ao sistema, para essa escravidão da modernidade líquida.
No mundo concreto, o urbanismo, talvez, nada mais seja que o design ou a decoração dos donos do capital (capitalismo). O barulho ensurdecedor, o mau cheiro e a sujeira que ficavam restritos aos espaços das fábricas, hoje invade cada rua, casa, praça, escola. O mundo é uma fábrica.
A globalização (ou globalistarismo, segundo Milton Santos), nossa aldeia global, não se traduz no mundo físico e concreto, cada vez mais separado por muros, grades e sistemas de proteção. A unificação só se faz presente no sistema mercantil e comunicacional, e seu acesso fica restrito aos que podem pagar por ele.
Na modernidade líquida, a mulher é duas vezes escrava, enquanto se iguala aos homens na condição de escravos voluntários, mas também como produto escravizado pela sociedade machista. Na África, meninas e adolescentes fazem testes de virgindade. No Oriente Médio, ainda há os que  amputam o clítoris feminino. No ocidente, basta exibir-se eroticamente para ganhar fama. A mulher é mais um produto consumido. Bundas e peitos, na grande maioria das vezes, é suficiente para a ascensão social feminina. Para a masculina, ficam a competição e conquista. O enorme sucesso de esportes masculinos na mídia é prova de sua posição social: competir, vencer. Já o sucesso da exposição erótica feminina é a prova da sua posição social: seduzir, dar prazer aos homens e, quem sabe, compartilhar de seu competitivo sucesso financeiro.
Como regra de mercado, o senso comum diz que a procura determina a oferta, e sendo assim, as empresas ficam submissas aos consumidores. Mas isso foi invertido, temos a oferta determinando a procura atualmente. O consumidor deseja avidamente o que é oferecido, tenha-lhe uso ou não. O panis et circenses de antigamente foi remodelado: o pão é o consumo e o circo é a diversão, o entretenimento.
As próprias palavras tornram-se elemento de deturpação e conformidade. Na pós-modernidade, não haveria subserviência sistemática sem comunicação midiática. Por esse motivo, deve-se pensar qualquer projeto transgressor, confundindo-se com um projeto poético. Re-pensar e re-dizer a vida  como um todo, para que a realidade possa ser desnudada.
A rapidez (alta velocidade) é outro elemento essencial para a manutenção desse sistema. O mundo do mercado e da comunicação é cada vez mais rápido e fabuloso, mas o mundo físico é cada vez mais lento e caótico. Quanto mais tempo trabalha, menos tem para si e mais necessita de soluções rápidas e milagrosas que a indústria mercantil parece oferecer, como um ciclo de auto-sustentação permanente.
A abundância aparente que é vendida é ilusória. Um produto, digamos assim, como o milho, por exemplo, está presente no etanol, no catchup, na coca-cola, como ração da carne bovina e assim por diante. Quer dizer, a aparente diversidade vendida é sustentada por monoculturas.
A desigualdade é outro elemento imprescindível para os donos do capital. No caso do Brasil, um dos países mais desiguais e abundantes do mundo, a previsão de que se torne, num futuro breve, a 5ª economia mundial, não parece vir ao acaso. A venda de crédito, em larga escala, muda um pouco a aparência de uma maioria que vive em extrema carência, de condições mais dignas de vida.
O mundo globalizado propõem que consumidores mudem de hábitos para salvar o planeta sem, no entanto, alterar os sistemas de produção. Isso significa, na prática, mudar os detalhes para que a essência degradante continue a mesma. As discussões políticas internacionais apenas procrastinam as mudanças necessárias e vitais.
Sem trabalho em nosso mundo, poucas chances se tem de viver. No mínimo, o sujeito será condenado (sem tribunal), a mendigar e viver abaixo da linha de pobreza ou, quem sabe, entre criminosos. Mas a palavra trabalho vem do latim tripalium, que era um instrumento de três paus, no qual agricultores debulhavam milho e trigo. Também ficou conhecido como instrumento romano de tortura de escravos, com suas três estacas cravadas no chão. Então surge a derivação, em latim, do verbo tripaliare, significando torturar alguém, enquanto carrasco. Hoje, ao trabalhar, o sujeito pode estar na condição de carrasco ou, mais provável, de vítima. Muitas vezes, o trabalho é tão desgastante, que o trabalhador chega a adquirir doenças fatais.
As doenças da pós-modernidade parecem multiplicar-se com facilidade, atingindo faixas etárias que antigamente, não se poderia imaginar. A medicina não costuma atacar ou conhecer as causas das doenças, pois essa busca condenaria, direta ou indiretamente, os alimentos consumidos, o ar respirado, as roupas vestidas, a frequente troca de aparelhos eletro-eletrônicos e assim por diante. Destruir o sistema mercantil não está entre os interesses capitais, então, cuida-se apenas das consequências das doenças adquiridas. Mudar alguns detalhes para a essência continuar a mesma.
A decodificação do genoma humano (Projeto Genoma), foi patrocinado para buscar as curas de várias doenças e desequilibrar, assim, a poderosa indústria farmacêutica? Caso a resposta seja positiva, para quem essas possibilidades de cura estarão disponíveis e por quais preços? Que outros interesses podem haver no genoma?
Na modernidade líquida (hipermodernidade), a nova forma de escravidão é mais abrangente por atingir qualquer pessoa em qualquer classe social, mais eficiente porque conta com a aceitação voluntária do escravo. Para cooptar as vontades alheias é preciso comunicação eficiente. No mundo apocalíptico, apresentado diariamente pelo jornalismo de impacto, onde estão as boas notícias? Talvez, McLuhan tenha dado a resposta ao chamar a publicidade de "good news" (boas notícias).
A dor, o sofrimento e principalmente a dúvida, são quase onipresentes nesse jornalismo. A felicidade, o alívio e o prazer estão na publicidade (good news), nas marcas usadas por status. Como tudo, precisa ser consumido e, para tanto, temos de trabalhar muito. O trabalho diário, semelhante ao jornalismo de impacto, é tão sufocante quanto recheado de boas novas, suportado porque em nossas mentes, ao acordar, ao ligar a TV, ao tomar o ônibus, ao caminhar nas ruas, ao trabalhar, no celular, em todo e qualquer lugar, está presente nosso prêmio, nosso objetivo: a felicidade, o alívio e o prazer prometidos pelo consumo.
O mundo cada vez mais rápido não deixa muito tempo para pensar: faça todos os cursos que puder, fale quantas línguas conseguir, use todos os meios para comunicar, leia jornais diariamente, mantenha-se informado sobre tudo. Faça tudo isso, caso queira arrumar um bom emprego, sabendo que isso nem sempre significa um bom salário. Num momento de crise financeira, você sabe, todos devem se sacrificar. E faça mais: coloque seus filhos nas melhores escolas  particulares, se puder pagar, e mantenha-os em contato com as novidades tecnológicas, pois você não vai querer um descendente tecno-analfabeto em plena Geração Y. 
Desde a gestação, coloque seu filho para ouvir CD's como Baby Mozart que, segundo dizem, aumenta a capacidade matemática. Vale a pena o esforço. Desde pequeno, coloque-o em frente ao televisor, mas só deixe-o assistir canais educativos, desses que existem na TV paga, com 24 horas de programação voltada para crianças. Seja esperto, pois já existem cursos de empreendedorismo infantil, afinal, você irá preferir ter um filho carteiro, enfermeiro ou um rico e criativo empresário?
Pouca gente sabe, mas o fato é que crianças não deveriam ver televisão, assim como não deveriam consumir alimentos com açúcar, até os dois anos de idade. Quem diz isso? Pesquisas científicas e não os pesquisadores de marketing. Nesse período, assim como na infância e adolescência, o mais importante é a real estrutura familiar, o contato e a segurança que os pais oferecem, e não o que as "good news" prometem.
Outro fator determinante, segundo pesquisas científicas, é o ambiente cultural familiar, mais determinante que as escolas frequentadas. Pouco adianta seu filho frequentar bons colégios se em casa possuem pais alcoólatras, dependentes de calmantes, agressivos no trânsito, consumistas, preconceituosos ou machistas. Valores paternos e maternos serão mais assimilados que os escolares, tão preocupados em oferecer êxito no vestibular.
A exposição diária aos canais "educativos" de TV fará que seu filho, num futuro breve, só consiga prestar atenção em movimentos rápidos e coloridos das imagens, tornando um professor de carne e osso desinteressante. Preparar filhos para empreender e competir, pode apenas ceifar infâncias, tornando-os desequilibrados no campo emocional. Não é coincidência a elevação dos níveis de depressão em crianças e adolescentes. Preparar filhas para serem lindas e atraentes, pode apenas ceifar sua condição infantil, tornando-as desequilibradas emocionalmente. Não é coincidência o aumento de gravidez pré-adolescente.
Comprar celular, palm-top, computadores e tudo o mais que a tecnologia oferece, não transformará crianças em pessoas melhores, apenas facilitará a exposição ao mundo das "good news". O brand new world (novo mundo das marcas) que vivemos talvez seja mais perverso que o Brave New World de Huxley. Crianças, cada vez mais, agem e consomem como se fossem adultas e os adultos, por sua vez, fazem de tudo para manter-se joviais e são os novos consumidores de produtos infantis. De certo modo, ninguém mais possui sua própria idade. Vivemos, com conformidade, escravizados pelas marcas. Rui Henriques Coimbra escreveu num interessante artigo:
“Só no ano 2000 houve 353 meninas que foram batizadas com o nome Lexus, o modelo de automóvel de luxo produzido pelos japoneses da Toyota. Nesse mesmo ano, 269 bebês receberam o nome Chanel, 24 passaram a chamar-se Porsche e seis rapazes têm agora o nome Timberland. O nome Armani é mais abrangente: foi escolhido para 273 garotos 298 menininhas. Outros nomes populares são Evian, Chardonnay, Fanta e Guiness. Mas há também quem goste de dar aos petizes nomes Chivas Regal, Nike, Nivea e Pepsi.” - artigo intitulado Dias Confusos, publicado no Jornal Expresso de Portugal, em novembro de 2003.
As marcas estão em todas as partes. Tomemos a Nike como exemplo. Antigamente poderíamos encontrar um filme publicitário da marca, com 30 segundos, na televisão. Hoje, pagamos para assistir, no cinema, filmes como "Do que as mulheres gostam", com um personagem machista que passa a ler os pensamentos femininos. Como pano de fundo, também traz uma agência de publicidade elaborando uma genial campanha para a Nike. O filme tem duas horas e foi lançado no ano 2000, com Mel Gibson e Helen Hunt.
O chamado marketing viral também trouxe a "grande sacada" publicitária (good news) para a modernidade líquida. Empresas criam vídeos bem humorados e os colocam no Youtube. Os consumidores simpatizam-se com os vídeos, achando-os engraçados, e os distribuem gratuitamente para amigos e familiares. Esses, por sua vez, fazem o mesmo e criam uma rede viral jamais vista anteriormente. Com isso, as empresas gastam menos e atingem mais, graças ao nosso desejo de colaborar voluntariamente para a felicidade, o prazer e o bem-estar. A garantia de sucesso é o velho e inquestionável boca-a-boca.
Não é de se estranhar que lhe venha uma pergunta: como transformar o mundo em que vivemos? Uma provável resposta pode surgir: aprendendo a votar corretamente nas eleições e criando leis severas de controle social. Pessoalmente, penso que não, pois não são esses os pontos centrais ou essenciais que devemos atingir. A minha provável resposta pode parecer estúpida, num primeiro momento, mas pode mudar de figura com um olhar mais profundo. O único meio de agir positivamente e alterar nosso ambiente, a única revolução possível é a revolução poética, pois a pior guerra que vivemos, considerada a terceira mundial, é a guerra semiótica dos significados e significantes, em amplo sentido.
A democracia deveria ser direta e participativa, conduzida por assembléias populares, o cerne de nossa sociedade deveria ser a comunicação participativa entre todas as classes sociais, com as tomadas de decisões amplamente debatidas. Aqui deve entrar a revolução poética, uma revolução educativa e sem limites, a reconquista da semiótica pelos homens. A não permissão da deturpação dos reais significados de cada elemento social e vital.
Ao contrário do que se possa pensar, não há que se conquistar o poder, nem mesmo destruí-lo, mas inverter as posições de escravizante e escravizado. Eleger um representante ou mestre é o mesmo que declarar-se escravo de forma voluntária. A natureza não elege mestres ou representantes, apenas o homem o faz. Uma revolução ou transgressão poética (educacional), também irá modificar nossa estrutura de pensamento e, por consequência, hábitos de vida e consumo. A legislação, a política, a economia, a produção, a indústria, a publicidade e a mídia, terão de reestruturar-se aos novos modos adquiridos através dessa revolução, caso queiram manter-se atuantes e presentes na sociedade. A indignação e a não aceitação do presente modus operandi de nossa sociedade, realizada de maneira consciente, através da educação (ou revolução poética), é a única garantia que temos de mudar esse novo mundo novo em que vivemos.


(Escrito por M.A.D., autor desse blog)

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