09/02/2010

O budismo virtual

Por Fábio de Oliveira Ribeiro - Os internautas mais jovens estão perdendo o interesse nos blogs e se voltando cada vez mais para formas mais curtas e portáteis de comunicação pela rede, enquanto a popularidade dos blogs entre os mais velhos se mantêm inalterada, segundo indica uma pesquisa americana (ver aqui). Primeiro muitos trocaram as longas narrativas (livros) pelas narrativas curtas e multimídias (blogs). Depois trocam os blogs pelos sites em que a comunicação é mais rápida e tem conteúdo ainda menor (Twitter). Assim, logo todos estaremos dizendo AUM sem sermos budistas nascidos no Tibete.
Este padrão me fez lembrar The Decline of the West, livro monumental de Oswald Spengler que li há uns 20 anos. Se bem me lembro, Spengler foi o primeiro a defender a tese de que as sociedades humanas passam do estágio da Cultura (onde predominam as longas narrativas vivificadas através do culto) para a Civilização (onde predomina o progresso material e o abandono do culto que vivifica as longas narrativas).
A redução da comunicação a uma frase (Twitter) – que pode ser o prenúncio de que todos logo estarão falando apenas AUM – cria um interessante paradoxo. Afinal, AUM é nenhuma comunicação e toda comunicação (pois, segundo os budistas, todas as palavras estão dentro de AUM). Chegamos a uma interessante conclusão: a mesma tecnologia que provoca o fim da Civilização (ou melhor, da nossa civilização) também acarreta o princípio de uma nova Cultura.

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