10/02/2010

O fenômeno dissimulado das enchentes

Por Fábio de Oliveira Ribeiro - Leio no blog Conversa Afiada que uma escavadeira caiu no Tietê e não afundou. Uma foto ilustra a matéria. Todas as redes de TV que fazem a cobertura jornalística na capital paulista usam helicópteros, mas a imagem da escavadeira flutuante não foi parar em nenhum telejornal matutino. Falta de pontaria dos cameramen? Desinteresse dos jornalistas? Exclusão da pauta pelos editores?
O Jornal Nacional, que gosta de mostrar prodígios, não noticiou o fato inédito. Nenhum especialista foi entrevistado para explicar o mistério do aço tão denso quanto isopor. Meus botões estão curiosos: o governador não sabia que deveria ter mandado dragar o rio antes do período das chuvas? A falta de diligência governamental parece ter dado resultado. O rio ficou menos profundo e provocou mais inundações. Apesar disto, os telejornalistas continuam culpando apenas a chuva – como se a chuva tivesse provocado o assoreamento do rio ou a falta de dragagem.
As áreas permanentemente alagadas estão sendo desocupadas porque se tornaram inabitáveis. Quando as várzeas estiverem livres de seus indesejados habitantes as dragagens do rio Tietê recomeçarão e serão feitas religiosamente? Os terrenos foram deliberadamente libertados para serem revalorizados? Este é o maior golpe imobiliário do século? Perguntas, perguntas, perguntas... A escavadeira que não afundou no meio do rio é prova que o Tietê está suficientemente raso para sair das margens e afugentar os pobres?

(Publicado no sítio Observatório da Imprensa).

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