28/03/2010

Ando, danço, compreendo e canto.

Ando por entre névoas e tiros
Com meus passos capitais.
Entre sirenes e livros,
Sobre visões e abrigos,
Eu caminho muito mais.

Vejo um horizonte finito
Que não devo alcançar.
Com a malha fina dos gritos,
A solidez de tudo o que digo,
Tão logo, se desmancha no ar.

Danço por entre névoas e tiros
Com meus passos capitais.
Vez em quando, saco um sorriso,
Escondo um choro, manso, sentido,
E finjo saber “nada mais”.

Compreendo a névoa abstrata
Que ordena nossas visões
E entendo quando pensas
Que são sós, alucinações.

Acima das névoas, vejo estrelas:
Todas tão claras quanto velhas.
Surgidas de um passado distante
São como tiros em alto-falantes.

Canto, enfim, entre névoas e tiros,
Com meus pesos capitais;
Entre acordes e brilhos,
Entre sonos e delírios,
Canto quando caminhar
Não posso mais.

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.