09/03/2010

Conar: o auto-regulador

O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), faz-me lembrar de outra palavra pela semelhança: Conan, aquele filme antigo. E talvez existam mais semelhanças entre o Conar e o Conan: a força extraordinária, o combate aos monstros e o fato de ser uma ficção, nos dois casos.
"O comercial de Paris Hilton foi o pretexto para valorizar o conceito de auto-regulação no momento em que começou a esquentar a discussão sobre "controle público" da comunicação" - escrito por Alberto Dines*.
A investida contra a cerveja Devassa, por parte do Conar e pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SEPM), do governo federal. A SEPM não poderia negar apoio nessa investida, mas de minha parte, estranho que tantos outros comerciais sexistas , ou melhor, machistas, não incomodem ninguém. O Conar, como já dito nesse blog, nada mais fez que um apoio pífio para uma causa que claramente não defende. O mercado jamais prejudicará o mercado.
"As investidas do Conar contra a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a venda de remédios nas gôndolas das farmácias sob a alegação de que o consumidor não pode ser "tutelado" pelo farmacêutico é pueril e impertinente: nada tem a ver com publicidade e, por outro lado, ignora os perigos da automedicação e, sobretudo, das superdosagens." - por Alberto Dines*.
Também aqui nesse blog, já foi dito que complicações com a automedicação matam cerca de 50 pessoas por dia no Brasil. Exatamente, por dia! Mas o Conar, nesse caso, não se importa e investe contra a Anvisa.
A auto-regulação seria mesmo um ato de uma sociedade avançada, caso fosse praticada com isenção e ética, principalmente ética. Porém, não é o que se vê na prática. Basta fecharmos os olhos, esquecermos de toda a nossa cidadania, para que o Conar corrobore nossos atos.
"O rigor contra o comercial da Devassa é inócuo, tem algo farisaico. E deixa evidente a manobra de "vender" a auto-regulação como panacéia para impasses que nos EUA geralmente são resolvidos por agencias reguladoras propriamente ditas, como a Federal Communications Commission (FCC)." - por Alberto Dines*.
* Trechos retirados do artigo Devassa na auto-regulação escrito por Alberto Dines e publicado no Observatório da Imprensa.

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