11/03/2010

O Estado e a imprensa

Por Eduardo Guimarães - Essa guerra jornalística evidenciada pela matéria da Folha de São Paulo acusando Luis Nassif por suas relações comerciais com o governo federal e pelas acusações dele a esse jornal, entre outros veículos de comunicação, por manter as mesmas relações com o governo de São Paulo, mostra como o jornalismo brasileiro chegou ao fundo do poço.

Em minha opinião, Luis Nassif é um jornalista sério. É uma opinião. Há quem ache que veículos como o supra mencionado é que são sérios. É outra opinião. De concreto, porém, o que se pode afirmar é que as relações comerciais entre Estado e imprensa interferem naquilo que é só o que interessa a nós, o público: informação isenta e veraz.

Dirão que estou puxando a sardinha para o meu lado se eu disser que, em minha opinião, se Nassif pensasse somente em dinheiro teria ficado na Folha. Até aqui, não tenho motivos para duvidar dele. No blog que edita, não o vi mentir ou distorcer fatos. Pelo contrário, acho que trata os assuntos com responsabilidade e honestidade.

Não acho que tem alguma coisa de mais um meio de comunicação ou um jornalista receberem dinheiro público. O Nassif tem que trabalhar, assim como a grande mídia. E o Estado, seja em nível federal ou estadual, precisa de jornalistas e de meios de comunicação para difundir tudo o que tem obrigação de difundir.

Como Nassif poderia fazer um blog tão bom sem recursos? Sem dinheiro, o melhor que dá para fazer são blogs como este, que se fundamentam exclusivamente nos recursos intelectuais dos seus autores. É pouco. Como os brasileiros saberão o que acontece pelo país e pelo mundo se a imprensa não tiver recursos? Não se faz jornalismo só opinando.

O problema está no viés político da imprensa nacional, seja de que lado for. Não que não deva haver viés. Seria melhor que não houvesse, mas pode haver se jornalistas e meios de comunicação assumirem claramente as suas preferências políticas. Assim, quem lesse o Nassif ou a Folha saberia claramente o que esperar.

E por que os jornalistas e os meios de comunicação brasileiros não assumem as suas preferências políticas? Porque têm negócios com governos e acham que, se assumissem estas preferências, cada centavo que recebessem, sendo lícito ou não, levantaria suspeita. Não percebem que o fato de não assumirem não impede que o viés seja visto.

Alguém como eu pode dizer claramente que apóia o governo Lula por várias razões. Não sou jornalista, não faço este blog com fins comerciais e, assim, não recebo dinheiro nem do Estado e muito menos de particulares. Por isso, posso ir à porta de um grande jornal fazer um ato público e ele não pode me acusar de nada.

Só que, se depender de Eduardo Guimarães, o público não será informado. O máximo que posso oferecer aos meus leitores é interpretação dos fatos e alguma descoberta que consiga fazer via internet, além de uma ONG dura criada para lutar contra o mau jornalismo sem gastar um tostão furado.

Para tirar o jornalismo brasileiro do fundo do poço, será preciso encontrar uma fórmula de a imprensa se relacionar comercialmente com o Estado sem que tal relação interfira em sua missão de informar. Esse é um problema do jornalismo mas também é um problema do público, pois não existe uma nação que possa abrir mão da imprensa.

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