02/03/2010

Quanto custa a democracia?

Você, meu caro leitor, deve ser a favor da democracia, certo? Por consequência, deve gostar de liberdade de expressão e pensamento? E no exercício de sua cidadania, gostaria de debater esses temas em um Fórum, não é mesmo?
Saiba que muitos puderam debater a importância desses temas: todos os que puderam pagar a módica quantia de R$ 500,00 (afinal, liberdade de expressão e democracia não devem ser gratuitas. Ou deveriam?).
O 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, evento idealizado pelo Instituto Millenium (representante da velha mídia brasileira), reuniu monstros sagrados da comunicação social do Brasil, como Reinaldo Azevedo, que eternizou frases célebres em nosso jornalismo como “Ô Tomaiz, faiz um Bequéti aí pra mim vê se ocê é bão mesmo".
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"Eles fugiram do debate na CONFECOM e agora querem debater democracia e liberdade de expressão, que liberdade é essa? Deve ser a liberdade do monopólio." - Altamiro Borges, referindo-se ao evento do Millenium.
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Agora veja, segundo reportagem do Bom Dia Brasil, o que acontecia do lado de dentro do evento (ou clique AQUI para ver o vídeo):

Mas veja também o que acontecia do lado de fora (ou clique AQUI para ver o vídeo):


Para finalizar essa postagem, deixo pra você, caro leitor democrático, as palavras de Luis Nassif sobre o evento:

"Segundo a cobertura geral do Seminário do Instituto Millenium, contra tentativas de controle social a velha mídia contrapõe a autorregulação, a exemplo do Conar – para a publicidade. Ótimo! Primeiro passo: regulamentação do direito de resposta.

Lembro-me de fins dos anos 90, quando passei a escrever artigos mais agressivos contra os sucessivos erros de cobertura. Na época, havia receios de uma nova lei de imprensa, mais severa, para coibir abusos.

O Roberto Civita xerocou vários artigos e enviou a diretores de redação da Abril. Ruy Mesquita recomendou a leitura ao Aluizio Maranhão, então diretor de redação. A RBS implementou um programa de aprimoramento das informações.

Passado o perigo, tudo voltou à estaca zero e se viu, nos últimos anos, o maior festival de manipulações, assassinatos de reputação, criação de factoides, uso descarado da denúncia como elemento de intimidação, em muitas décadas. O resultado foi a desmoralização da velha mídia e o fortalecimento das teses de controle social.

Houvesse um mínimo de visão estratégica, de olhar mais amplo, fora do próprio umbigo, e a resposta da velha mídia seria recuperar a legitimidade perdida. De que maneira? Primeiro, dando pleno direito de resposta às vítimas de crimes de opinião e assassinatos de reputação. Segundo, criando um conselho com notáveis, mas que pusessem a mão na massa, analisando o conteúdo das reportagens mais impactantes e das manipulações mais óbvias.

Mas jamais acontecerá. A velha mídia entrou em uma dinâmica irresistível, em uma marcha da insensatez que não será rompida a não ser quando for muito tarde. A prova maior é a ausência total do contraditório no seminário de ontem. Simplesmente porque com toda a pompa do encontro de ontem, a geração completa dos jornalistas que fazem a velha mídia não resistiria a meia hora de contraditório. Não por incapacidade deles. Mas pela impossibilidade de defender essa lógica maluca que se apossou do jornalismo".

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