09/04/2010

A cobertura assimétrica da mídia

A mídia deveria estar presente nos morros, subúrbios e afins desde sempre. Mas na prática, acaba se comportando como o próprio poder público: chega apenas quando a desgraça já se instalou. Então, a partir desse momento, começa a escolher o tipo de cobertura que fará. Num passado recente, a tragédia de Santa Catarina até a de São Paulo, mereceram coberturas do tipo "mãe natureza". 
Agora, no Rio de Janeiro e, principalmente Niterói, surge uma cobertura política. Principalmente por Niterói ter no comando da Prefeitura o PDT, partido inimigo das Organizações Globo. Mas essa mesma organização de mídia tem sua central no Rio de Janeiro, ao lado de Niterói, e nunca se preocupou em denunciar os absurdos que qualquer carioca conhece de olhos fechados. As reportagens locais sempre têm uma cobertura pífia. Nesse ano, como no ano passado, vimos acontecimentos cariocas importantes serem noticiados pelo Estado de São Paulo, pela Folha e não ganhar nenhuma linha do jornalão carioca.
Agora é hora de fazer jornalismo? Não, agora é hora de fazer política, principalmente em ano eleitoral. A própria designação de jornalismo investigativo já mostra em que lugar se encontra nossa nobre profissão, pois todo jornalismo é investigativo por natureza. Se criaram outros tipos de jornalismo, então que se saiba: não é jornalismo.
Sobre as eleições, qualquer analista sabe que os bancos e empresas brasileiras patrocinadoras das eleições não deixaram de ganhar dinheiro (e muito), com um presidente de esquerda, como Lula. O capitalismo não está ameaçado. Então, o que está ameaçado? O que faz a mídia promover campanhas ferozes de factóides contra a política nacional que se apresenta? A resposta é simples: o controle social da mídia, o cumprimento da Constituição brasileira que impede oligopólios na comunicação, os direitos iguais dos homossexuais, a cota dos negros nas universidades, o Programa Nacional de Direitos Humanos e assim por diante.
O Brasil sempre foi um solo fértil para se ganhar dinheiro: taxas de juros entre as mais altas do mundo, banda larga entre as mais caras do mundo, telefonia celular entre as mais caras e assim por diante. Somos o paraíso do dinheiro fácil e do capitalismo exploratório, em franco processo de desendustrialização. Estamos voltando a vender matéria-prima para países desenvolvidos fabricarem seus produtos e nos revenderem.
Qual o problema da mídia nacional (Instituto Millenium)? O problema é a evolução social desse país, algo que eles temem como os cristãos temem ao diabo, porque nossa evolução social significa a destruição do paradigma que sustenta seu aparente poder. 
Se no começo do século 20 tínhamos 80% de analfabetos, hoje temos 75% de analfabetos funcionais. Isso é apenas uma parte da estrutura que garante os plenos poderes de uma mídia que faz o que bem quer. Desregulamentaram a profissão jornalística e agora, para se ter registro profissional, tem que se estar trabalhando na área. Na prática, tiraram a regulamentação da lei e colocaram nas mãos do Deus Mercado. Não sou a favor da obrigatoriedade do diploma, assim como não sou a favor do mercado ser o único regulador da profissão.
De qualquer modo, para cada desastre que assola nosso país, podemos esperar um tipo de cobertura midiática diferente. A mídia quer manter a estagnação social e cultural de todo um país, apenas para manter sua estrutura de poder. Bancos e empresas fazem lucro com a esquerda e com a direita no poder. O problema é a velha mídia, que morre de medo de uma revolução poética (cultural, educacional).

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