13/04/2010

Estão enterrando o jornalismo

Mais um trecho de mais um artigo publicado no Observatório da Imprensa. Reclamando, mais uma vez, do jornalismo brasileiro. O povo precisa indignar-se com o baixíssimo nível jornalístico brasileiro. Escrito por Maurício Caleiro, jornalista e cineasta, doutorando em Comunicação pela UFF; seu blog.

"Se, enquanto o Rio de Janeiro era assolado pela tragédia das chuvas, o jornal dos Frias preferia destacar, em letras garrafais, a informação "fria" de que "Rodoanel reduz tráfego de caminhões em 43%" (contrapondo-a, logo abaixo, a "Por Dilma, presidente manda acelerar obras"), a edição do último domingo abriu mão de qualquer pudor e destacou o lançamento da candidatura Serra à maneira de um anúncio publicitário, com direito a foto nos mais altos padrões da propaganda política, manchete principal e 70% das demais chamadas de capa. Obra digna de um marqueteiro de primeira linha, não protagonizasse a capa de um jornal cujo dístico de inspiração iluminista o proclama "um jornal a serviço do Brasil".
O lançamento oficial da candidatura tucana fez até mesmo o ultimamente mais comedido Estadão cometer um editorial extremamente agressivo contra Dilma, enquanto a Veja manteve o estilo costumeiro. Mas pouparei o leitor de analisar a cobertura do semanário da Abril, que no quesito serrismo é há tempos hors concours.
Também O Globo, sob a orientação tática de Ali Kamel e capitaneada pela dupla de ataque Miriam Leitão e Merval Pereira – este fingindo acreditar até no caso do "voto Dilmasia", o primeiro factóide da campanha –, não apresenta por ora novidades significativas: continua a denegrir sistematicamente a administração Lula, a sonegar-lhe o reconhecimento dos méritos e a exaltar o charme tucano e a excelência das soluções neoliberais, mesmo em plena crise econômica mundial por tal receituário provocada.
O mesmo não pode ser dito das empresas televisivas do maior grupo de mídia do país. Enquanto a Globo News esmera-se cada vez mais em tornar-se uma espécie de Fox News nativa, o Jornal Nacional evidencia que o clima, em relação ao lulopetismo, é de guerra: na edição de sábado, o equílibrio na cobertura da agenda dos candidatos foi para o espaço, com Dilma ocupando cerca de um minuto da grade noticiosa, enquanto a Serra eram dedicados generosos sete minutos. A persistir tal assimetria, o tal padrão Globo de qualidade ficará indubitavelmente comprometido e, espera-se, a atenção da Justiça eleitoral acabará despertada."

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