13/04/2010

Jornalismo interrompido tupiniquim

Publico abaixo, um pequeno trecho de um excelente artigo de Washington Araújo, mestre em Comunicação pela UnB e escritor; criou o blog Cidadão do Mundo. Interessante questionarmos: onde está a profundidade do nosso jornalismo?

"Jornalismo interrompido é o que temos. Depois de ocupar noticiários em todas as plataformas – rádio, jornal, TV, internet – e passados 90 dias do terremoto de 12 de janeiro de 2010, ninguém fica informado sobre o que realmente acontece no Haiti. As perguntas se acumulam como cadáveres a céu aberto – insepultas.
Qual o volume de recursos financeiros que efetivamente chegou ao Haiti após o terremoto? Alguém sabe se Porto Príncipe voltou à vida normal? Qual o contingente atual de tropas estrangeiras sediadas no Haiti? Quem coordena os esforços das Nações Unidas pós-terremoto? O Brasil ou os Estados Unidos? O país é governado por haitianos ou por forças de paz? Em que resultaram os megashows de celebridades internacionais em favor do povo haitiano? E a adoção de crianças haitianas? Qual nação recebeu o maior número de crianças adotadas? A dobradinha Bush-Clinton rendeu o que, em termos práticos, para a reconstrução do Haiti? A quantas anda o plano de reconstrução, a infraestrutura hospitalar, o aparato governamental? E o cônsul haitiano em São Paulo, aquele que disse que o terremoto foi ocasionado pela crença haitiana em vodu... o que aconteceu com ele? Segue representante de seu país no Brasil?
Qual o montante de dinheiro doado pelos brasileiros – aquele depositado em bancos oficiais – para o povo haitiano? Que países decidiram perdoar a dívida externa do Haiti? Sobreviventes que perderam suas casas receberam ajuda financeira para reconstruí-las? Países cumpriram promessas de ajuda financeira trilionária? Existe alimento suficiente para a população desabrigada? Quantos são os desabrigados?"

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