07/04/2010

Prevenção poderia impedir prejuízo

Por Alana Gandra, Repórter da Agência Brasil 
Rio de Janeiro - Os problemas enfrentados pela população do Rio de Janeiro em consequência da maior chuva já registrada na cidade – foram 288 milímetros registrados em 24 horas pela Defesa Civil Municipal – poderiam ter sido evitados, ou pelo menos, reduzidos, com a adoção de ações preventivas nos centros urbanos e nas encostas.

Para o presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, os municípios devem adotar o tratamento preventivo, ou passivo, antes que comecem a ocorrer deslizamentos de terras. “É a drenagem, superficial e profunda, que custa muito barato, menos de 10% da eventual obra de estabilização [da encosta] e livra de acidentes”, disse o professor de mecânica dos solos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Veiga de Almeida (UVA).

Ele afirmou que esse tipo de trabalho exige aporte de recursos pelo governo federal.

O professor explicou ainda que problemas estruturais causados por construções irregulares em encostas não se resolvem em dois ou quatro anos. “Com as chuvas fortes, o solo satura e sua resistência interna diminui. Além disso, o peso aumenta com a água. São dois fatores que prejudicam”, afirmou o engenheiro.

Ele apontou a necessidade de se desobstruir a saída das águas, principalmente nas zonas baixas da cidade. Outro aspecto fundamental é o da limpeza das ruas e dos morros. O lixo jogado nas ruas vai para os ralos e bueiros, entupindo-os e impedindo a saída da água das chuvas.

Para Bogossian, o forte temporal que atingiu a capital fluminense foi um problema excepcional. “Não é um problema corriqueiro. Esse é um aspecto que não pode ser esquecido para não sair por aí achando culpados”, advertiu.

0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.