17/04/2010

A solidariedade do brasileiro

O povo brasileiro é mesmo muito solidário. Aqui no Rio de Janeiro, nem se fala. É uma espécie de toma lá, dá cá. Ainda essa semana, ouvi uma frase genial: o brasileiro é tão mesquinho, mas tão mequinho, que chega a ser solidário. Veja a notícia, a prática de um povo em um momento de tragédia:


Moradores que estão sendo tirados de áreas de risco dizem que o valor dos aluguéis nessas regiões subiu após as chuvas que mataram ao menos 66 só na cidade do Rio de Janeiro. Obrigados a deixarem suas casas, os moradores, que receberão o benefício do Aluguel Social, passaram a procurar por novas moradias na região em que moravam e encontraram preços maiores. 

O cadastro do benefício pago pelas prefeituras já começou e a entrega do dinheiro está prestes a acontecer. Em Icari, na zona norte da capital, 80 famílias recebem cheques do Aluguel Social nesta sexta-feira (16). A reportagem do R7 esteve nesta quinta-feira (15) no morro do Urubu, em Pilares, zona norte da capital, e em Niterói, onde as chuvas fizeram ao menos 167 mortos, e ouviu casos em que o valor do aluguel praticamente dobrou em relação ao período anterior aos temporais da semana passada.

Abrigado na casa de amigos, o metalúrgico Rafael Custódio dos Santos, de Pilares, afirma que o aluguel na região subiu, em média, de R$ 350 para cerca de R$ 600. Ele ainda reclamou da oferta, dizendo que muitos resistem em alugar imóveis para desabrigados.

A dona de casa Silvânia Machado, que morava no Bumba há 11 anos, tem a mesma queixa. Ela atribui a alta dos preços, para a faixa de R$ 600 a R$ 700, ao benefício do Aluguel Social. 

- Quando os proprietários souberam do Aluguel Social, eles botaram o aluguel lá em cima. Quando [a gente] diz que é favelado, que morava em comunidade, só piora.

No morro do Caramujo, em Niterói, a comerciante Vânia Cristina da Silva, que teve a casa interditada, diz que os deslizamentos destruíram muitas moradias na região, reduzindo ainda mais as possibilidades.

- Nem para alugar estou encontrando porque caiu tudo perto da minha casa. Quando encontro, o aluguel é de R$ 600 para cima, casas que não valiam isso e o pessoal está aumentando.

A Prefeitura de Niterói estuda a possibilidade de aumentar o Aluguel Social na cidade de R$ 375 para R$ 500. A microempresária Denise Mendes da Silva, moradora há 28 anos do Caramujo, disse que na sua região não dá para alugar nada por esse valor. Ela prevê que os preços possam subir mais.

- O aluguel é de R$ 600 a R$ 800 para uma casa humilde de dois quartos.

Em Niterói, cerca de 820 casas em áreas de risco serão demolidas. Já na capital fluminense, a administração municipal planeja remover 4.000 famílias que vivem em áreas de risco espalhadas em oito comunidades. A prefeitura promete que, até receberem um novo imóvel, ganharão mensalmente o Aluguel Social.

Nesta quinta-feira (15), durante visita do prefeito Eduardo Paes (PMDB) com desabrigados às unidades do PAR (Programa de Arrendamento Residencial), em Realengo, na zona oeste, o secretário de Habitação, Pierre Batista, enumerou três maneiras para reassentar a população.

- Removendo e dando um novo imóvel; através de um programa de aquisição assistida, no qual a prefeitura avalia o imóvel da pessoa e compra um outro imóvel com valor equivalente, se certificando por meio de vistoria que o imóvel escolhido não esteja em área de risco; e simplesmente indenizar o morador, deixando que ele escolha outro local para morar.


0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.