22/04/2010

A vida sexual dos papas

Dica de leitura: CAWTHORNE, Nigel. A vida sexual dos papas. São Paulo: Ediouro, 2002.

Escândalos sexuais envolvendo membros do clero católico são de conhecimento comum. Casos de abuso sexual de menores de idade ilustram jornais e revistas do mundo todo. No entanto, se enganam aqueles que acreditam que escândalos deste tipo são recentes. Desde o início da igreja cristã, o alto clero e principalmente os papas entregaram-se aos mais diversos prazeres da carne. Este é justamente o tema desta obra. A vida sexual dos papas aborda, desde o início da Igreja Católica, a conduta sexual de diversos pontífices, e por tabela alguns dos prelados mais próximos a estes.
Nigel Cawthorne é um jornalista inglês, que é conhecido por frases sarcásticas em suas obras e por procurar mostrar sempre um lado menos conhecido das figuras que aborda. Afirma que “todos gostam de sexo” e, portanto, este é um tema recorrente em suas obras.
O livro de Cawthorne não foge à regra, tendo trechos de puro sarcasmo, ressaltando principalmente atos hipócritas de pontífices que tentavam impor o celibato ou normas de conduta sexual, quando eles mesmos entregavam-se aos maiores abusos e orgias. Chocavam seus contemporâneos, apesar da liberdade sexual que muitos (leia-se poderosos) possuíam na época.
Era prática comum que os bispos possuíssem concubinas, por vezes esposas. Muitos papas cobravam uma taxação destes prelados para que estes as mantivessem, arrecadando grandes fortunas. Alguns pontífices tentaram impor o celibato, mas fracassavam ao perceber que isto aumentava drasticamente os casos de sodomia entre os prelados.
O incesto era uma prática comum. Por exemplo, o caso de Rodrigo Bórgia, o papa Alexandre VI: muito se falava sobre o caso incestuoso deste com sua filha Lucrecia Bórgia, e ele estava longe de ser o único. Papas que mantinham relações com irmãs e irmãos, mães, tias, não foram poucos. Simonia, subornos em sínodos, envenenamentos, infanticídios... Práticas que os papas não se faziam de rogados em praticar, se fosse para atingir seus objetivos.
O livro possui uma leitura leve. Sua linguagem não é rebuscada, e não se torna cansativa. O livro é totalmente ilustrado, e sua leitura é mais rápida do que se supõe. Contudo, é necessário criticar alguns pontos importantes, principalmente no que concerne aos aspectos acadêmicos.
O livro não possui uma única referência. Nenhuma nota, por consequência. Você passa todo o tempo sem saber a fonte dos fatos apresentados. Além disso, não usa nenhuma fonte primária, e sua bibliografia não é deveras extensa. No meio acadêmico, talvez não tivesse a maior das aceitações, e muitos historiadores torceriam o nariz para ele. Ainda assim, é uma leitura válida, principalmente para entusiastas e pessoas que levam á ferro e fogo a infalibilidade papal.

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