31/05/2010

Cardápio suculento e variado

Por Luciano Martins Costa em 31/5/2010
Comentário para o programa radiofônico do OI, 31/5/2010
Os jornais e revistas do fim de semana apresentaram a seus leitores um cardápio diversificado e consistente, passando da questão ambiental às relações internacionais, com grandes espaços para a disputa eleitoral deste ano.
Sem a presença de Aécio Neves, que prefere consolidar sua liderança em Minas Gerais a aventurar-se como candidato a vice-presidente na chapa de José Serra, a campanha obriga a imprensa a sair da rotina.
Com a falta de novidades na disputa, os jornalistas são obrigados a sair das redações para não ficarem disputando declarações de políticos, quase sempre construídas palavra por palavra por seus assessores de marketing.
Bom sinal: a Folha de S.Paulo foi analisar a questão do voto obrigatório e constatou que cresce o apoio ao sistema de voto facultativo. A maioria dos entrevistados – 55% – afirma que continuaria votando mesmo se o voto não fosse obrigatório.
O Estado de S.Paulo colocou seus repórteres na estrada e, 12.980 quilômetros depois, traça um perfil interessante sobre como se forma o voto na mente do eleitor brasileiro. O caderno especial publicado no domingo (30/5) traz o retrato de um país mais otimista, mais consciente de sua cidadania. Uma constatação interessante trazida pelo jornal: o brasileiro vota com os olhos no futuro.
Episódio histórico A questão ambiental entra nos jornais junto com o trágico vazamento de óleo no litoral dos Estados Unidos, aparece ainda em nova entrevista com o senador comunista que quer amenizar a legislação de proteção ambiental no Brasil, e acaba trazendo à luz um problema criado pelo grande crescimento econômico do país: segundo a Folha de S.Paulo, a coleta seletiva de lixo diminui na capital paulista.
Parte do problema, segundo o jornal, é o fato de que falta mão de obra para essa tarefa, agora que a economia brasileira reduz o desemprego a níveis surpreendentes até para a imprensa.
O que os jornais e revistas ainda não conseguiram foi esclarecer o leitor sobre o verdadeiro papel protagonizado pelo Brasil na questão iraniana. A fartura de artigos oferecidos aos leitores não veio acompanhada de edições cuidadosas. Lobistas de todo tipo ganharam espaço e destaque, análises de publicações comprometidas com este ou aquele lado foram reproduzidas sem que o leitor fosse alertado sobre os interesses específicos em jogo, e a semana terminou – e outra começou – sem maiores esclarecimentos sobre aquele que pode ter sido um episódio histórico nas mudanças que marcam este início de século.

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