13/05/2010

Nossa mídia é de matar

A notícia:
"A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) entregaram ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representações contra duas empresas que estão sob suspeita de não cumprirem a norma que diz que elas podem ter, no máximo, 30% de capital estrangeiro" - publicado no Estadão

Meu comentário:
Nada mais engraçado que a grande mídia capitalista brasileira. Juntos (Rede Globo, Folha de São Paulo, Grupo Abril, entre outros), lá no Instituto Millenium, defendem a propriedade privada, o Estado de Direito, a liberdade de expressão, a meritocracia, a eficiência e a transparência. Só estes dois últimos pontos defendidos dá muito o que falar na própria mídia brasileira. 
Enfim, são defensores do capitalismo, correto? Errado. Não querem a abertura da própria mídia para o capital estrangeiro. Qual seria o medo deles? Defenderam e defendem as privatizações, pois a competição melhora os serviços internos do país. Alguém percebe que a telefonia brasileira melhorou depois da privatização? 
Pois bem, segundo eles tudo melhora com o capital externo, menos a própria mídia. Então, pergunto novamente: o Instituto Millenium é defensor do capitalismo? Não, claro que não. São apenas auto-defensores capitalistas. Como auto-defensores, pensam inclusive em seguir o modelo do CONAR (o auto-regulador), e criar um conselho de auto-regulamentação da mídia tupiniquim. Mas não somente isso, querem impedir a livre concorrência na própria mídia. Será que eles têm medo de perder audiência?
Dizem que fazem isso para defender a lei constitucional. Pois é o que dizem. Mas não querem defender outras leis importantes da Constituição, como a que descrevi num outro artigo, aqui mesmo nesse blog:

"Qualquer cidadão brasileiro bem informado (ou seja, acima da média), sabe que o controle social das mídias proposto pelo governo, visa apenas cumprir o que está previsto na Constituição de 1988, em seu capítulo 5: proibição de monopólios ou oligopólios (6 famílias controlam 80% da mídia no Brasil), princípios educativos na programação (nada do que se vê), estímulo à produção independente (ah, tá), respeito aos valores éticos e sociais. Vinte e dois anos se passaram e isso continua apenas no papel. Para se manter na contramão da Constituição brasileira, tentam instalar um clima de terror político:
"Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos” - Arnaldo Jabor, comentarista da Globo."

Veja abaixo o comentário de Luis Nassif sobre o assunto:
"Qualquer forma de defesa da produção interna brasileira sempre foi tratada como cartório pela mídia. Reservas de mercado, aumento de alíquotas de importação. Até a decisão de construir navios no Brasil foi taxada de anacrônica que comprometia a eficiência da economia. Na própria Constituição, decidiu-se tratar como empresa nacional qualquer multinacional instalada no país.
Qual a lógica, então, de se defender reserva de mercado para as novas mídia, ou mesmo para o capital externo na velha mídia? De um lado, revitalizarão o mercado de opinião, ao introduzir mais competição e romper com o cartel de opinião dos últimos anos. De outro, não consta que a velha mídia seja uma defensora de valores nacionais. Pelo contrário, tem uma visão estritamente internacionalista, considerando anacrônica qualquer defesa de interesses internos, tratando como atraso o conceito de Nação. Então, qual o problema da internacionalização no seu próprio mercado?
FIESP, CNI, Abimaq, IEDI, todas essas instituições foram sistematicamente marcadas como anacrônicas por defender o mercado interno para empresas brasileiras. E essa defesa nem era para a origem do capital da empresa, mas apenas para a produção interna – fosse de empresa de capital nacional ou internacional. Agora, no seu terreiro, a velha mídia se comporta de forma mais anacrônica do que aqueles que ela própria taxava de anacrônicos: é contra empresas estrangeiras vindo produzir notícias no mercado interno brasileiro.
Nos últimos anos, a cobertura jornalística mais isenta sobre o país foi produzido pela mídia estrangeira: BBC, Reuters, El País (apesar de seus interesses editoriais com os governos federal e de São Paulo), Le Monde, New York Times. Foi graças a essa visão externa, mais o trabalho da blogosfera, que se rompeu a cartelização da cobertura jornalística da velha mídia."

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