04/05/2010

Omitir-se ou resistir?

O Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, defensor do catolicismo, inverte os papéis da lógica e chama o PNDH 3 de perseguição religiosa. Particularmente, desconheço qualquer teor que possa ser minimamente julgado como perseguição religiosa. Mas como conheci o Instituto? Através de uma publicidade paga, veiculada no Google.

O Instituto chama o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) de suprema inquisição. Não é erro de digitação, nem uma péssima escolha de palavras de minha parte, pois estou apenas reproduzindo as palavras utilizada pelo Instituto: "suprema inquisição". E mais: o supremo site pede solidariedade ao Papa, dizendo que estão ferindo sua dignidade ao veicular matérias sobre a pedofilia praticada por muitos padres contra crianças e jovens inocentes. O pequeno texto diz:
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"este verdadeiro “tsunami publicitário” visa atingir a dignidade e a santidade da Cátedra de Pedro, com a intenção de minar o papel da Santa Igreja em nossa sociedade. (...) Os perseguidores da Santa Igreja estão contando com nossa omissão. Portanto, é necessário afirmar nossa fé e desmenti-lo."
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Nesse trecho chama o exercício de cidadania, os pedidos de justiça de toda uma sociedade, de tsunami publicitário, exercido pelos que considera "perseguidores da Santa Igreja". O impressionante é que um texto sem argumentação que sustente suas idéias, com esse teor de acusação, aparece em pleno século XXI.  Ser um conservador religioso significa encobrir crimes de pedofilia e ser contra os Direitos Humanos? Através da ausência que o presente discurso expressa, parece que há um pedido de proteção aos crimes pedófilos, ou estou errado em minha interpretação?

Sobre a suprema inquisição ou melhor, o PNDH 3, a Igreja usa uma prática secular e execrável da própria Santa Igreja para denegrir um Plano de Direitos Humanos, discutido e debatido por toda uma sociedade desde o governo de FHC. Aos cidadãos brasileiros, deixo o mesmo chamado usado por tal Instituto: omitir-se ou resistir?

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