16/06/2010

O mundo na Copa do Mundo

Em tempos de Copa do Mundo, tudo o que se vê no aparelho televisor é futebol. Até mesmo os jornais perdem sua maior característica: o jornalismo. O máximo que consigo fazer é acompanhar o decorrer dos fatos pela internet, que também acentua sua característica caótica em tempos de eleição. De qualquer modo e por mais incrível que possa parecer, o mundo continua rodando.

Algumas coisas atraem minha atenção. Uma delas é o Choque de Ordem promovido na cidade do Rio de Janeiro, a começar pelo nome. Sim, pois algo como Política de Ordem ou Campanha pela Ordem seria impensável por aqui. Afinal, até mesmo o Choque se mostra ineficiente. O importante é que ontem, durante o jogo do Brasil, cerca de trinta e três "mijões" foram presos na capital carioca. 

Urinar em locais públicos é crime, porém, sempre que saio de minha casa, em Engenho de Dentro, tenho que andar olhando para o chão e saltitando, desviando de inúmeros cocôs caninos. Parece que defecar, por aqui, não é crime. Principalmente se você for um belo cachorrinho acompanhado de seu dono.

Jornais impressos também são chatos e previsíveis. Metade das edições é dedicada ao futebol e a outra parte aos devaneios políticos. Se Lula dá aumento aos aposentados é para beneficiar sua candidata, mas se não desse, seria para não prejudicar as eleições. O comentário que melhor definiu a relação entre a mídia tupiniquim e Lula foi escrito por Ricardo Kotscho, ao dizer que se Lula, algum dia, andar sobre as águas, os jornais publicarão a seguinte manchete: "Lula não sabe nadar". Sobre a previsibilidade da mídia, Luciano Martins Costa escreveu algo irretocável:

"O time brasileiro fez o que se espera do estilo Dunga: praticou um jogo previsível, sem criatividade, burocrático.
Como previsível era a decisão do presidente da República, e como previsíveis são todas as manchetes dos jornais quando falam da disputa eleitoral.
Visto pelas lentes da imprensa, o país que fez fama por sua criatividade parece ter perdido a capacidade de surpreender: as denúncias de outras campanhas são requentadas e até mesmo o ex-secretário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Jorge Caldas Pereira, que hoje é vice-presidente-executivo do PSDB, volta ao noticiário no papel de vítima de investigações obscuras.
Os dossiês anunciados pelos jornais e pela revista Veja ainda não se materializaram. Mas todos sabem que eles vão continuar cruzando a mídia até as eleições, assim como a bola tem que passar pelos pés de Kaká toda vez que seleção brasileira vai ao ataque." - publicado no sítio do OI.

No mais, o mundo só voltará a existir depois da Copa do Mundo. A mídia impressa tupiniquim, porém, continuará sendo previsível e cada vez mais dedicada a obras de ficção, que insiste em chamar de jornalismo.

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