03/06/2010

O que nos seria fundamental?

O capitalismo ainda sentirá mais saudade das velhas batalhas ideológicas contra o comunismo. O mundo teve o fim da história anunciado por Fukuyama, muitos anos atrás. Foi o fim da história como a conhecíamos. Algo mudou profundamente e outros processos se acentuaram ainda mais.
O homem hipermoderno, liquefeito, perdeu completamente suas referências. Está desterritorializado, perdido em perdições nas quais procura se encontrar. Nosso planeta era mais fácil de explicar e entender quando era dividido entre mocinhos e bandidos ou vice-versa.
Num cenário de completas perdas de referências, o que explode entre nós é uma espécie de fundamentalismo, de todos os tipos e de muitas formas. Homens explodem com seus corpos repletos de bombas, levando consigo dezenas de outros. Jornalistas criam factóides sem temer uma única linha de punição. Empresas patrocinam pesquisas científicas para posicionar e defender seus produtos no mercado. Em comum, a defesa fundamentalista e orgânica de suas crenças, idéias e razões.
Sem ter pontos de apoio, os homens transformam a si mesmos em pontos de referência, deixando o ser humano. Todos parecem ter dentro de si uma mesma frase: é matar ou morrer. Seja com palavras, políticas, mercados, religiões e muito mais. O mundo inteiro parece estar gritando, não tanto para ser ouvido, mas principalmente para não perder-se de si mesmo. O fim da história também teve seu fim e o que vivemos agora parece ainda estar por vir. Afinal, o que nos seria fundamental?

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