13/06/2010

Outro dossiê falso da Veja

Ser jornalista no Brasil é tarefa árdua demais. Certas situações nos obrigam a exercer a criatividade ao extremo. Por exemplo, em 11-09-2009 reproduzi um texto de Nassif com o título:


Pelo título percebe-se que já não era o primeiro, assim como
não era o segundo. Alguém consegue contar quantos são no total? Enfim, hoje eu queria escrever sobre o mais novo dossiê falso da Veja, mas empaquei no título. Faltou-me criatividade. Então apelei para o singelo título: Outro dossiê falso da Veja. Perdoem-me a falta de criatividade, mas como disse, ser jornalista no Brasil não é fácil.

Sempre que vou conversar com meus amigos sobre um dossiê falso da revista, logo me perguntam: de qual deles você está falando? Para dar um exemplo pequeno, leia um trecho de um artigo escrito por Lúcia Rodrigues em 2009:

"Mais uma vez a revista Veja dá eco a histórias que não se comprovam depois. Foi assim no episódio publicado em 2005 sobre os dólares de Cuba, que teoricamente teriam financiado parte da campanha de Lula à Presidência da República, que conduziu o ex metalúrgico ao Planalto pela primeira vez, em 2002. O semanário também publicou em 2005 reportagem que insinuava que candidatos ligados ao Partido dos Trabalhadores teriam recebido recursos das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, para o financiamento de suas campanhas.
As fitas com o áudio do diálogo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reproduzido nas páginas de Veja, também nunca apareceram. Investigação da Polícia Federal não identificou esses grampos que a revista insinuava existir. Segundo a reportagem, essas gravações teriam sido produzidas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e seriam repassadas a Lula, apesar de afirmar que não necessariamente o presidente tivesse conhecimento disso."

Perceba como é difícil abordar dossiês falsos nesse país. Mas todos esses supostos dossiês tem algo em comum: não aparecem nunca, ficam apenas na denúncia suposta de supostos envolvimentos de supostos... melhor parar por aqui.

Sobre o novo suposto dossiê, que também nunca ninguém viu, Leandro Fortes escreveu em seu artigo publicado na Carta Capital:

"Nas últimas semanas, os eleitores brasileiros acompanharam o desenrolar de uma série de informações desconexas sobre um escândalo inexistente baseado em um dossiê fantasma a ser montado por uma equipe de arapongas jamais formada. Ainda assim, a história está longe de acabar. O tal dossiê, na verdade um livro sobre os bastidores do processo de privatização durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, voltará a ser notícia depois da Copa do Mundo, provavelmente no fim de julho."

Todo mundo já sabe que o dossiê é falso. Você não sabia? Melhor disfarçar, para não passar vergonha. Existem até indícios da participação de hackers na montagem desse factóide do Millenium. De qualquer modo, até as eleições, surgirão outros dossiês e factóides. O exercício jornalístico de criar novas manchetes para os mesmos fatos será cada vez mais penoso e desanimador.

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