27/06/2010

Sobre o "dia sem Globo"

Assim que a sexta-feira, alvo do "dia sem Globo", acabou, já começaram a propagar matérias explicando que tal movimentação popular foi um fracasso, pois a audiência da emissora foi até maior que em outros dias. Você, caro leitor, poderia esperar por uma explicação mais profunda, mas a vitória está nos números.


A Globo é a terceira maior emissora de televisão do mundo, segundo consta, e não se pode esperar uma relação tão simples e pequena entre público e mídia. Ganhar audiência num dia em que haverá jogo do Brasil numa Copa do Mundo não deve ser nada surpreendente, e realmente não é. A grande questão, talvez seja a perda consistente de audiência que a emissora está enfrentando em novelas e outros programas a cada dia, cada mês, cada ano. Pode-se ignorar a realidade da mudança lenta de hábitos durante um dia de Copa do Mundo, mas não durante os últimos meses ou anos.

Na verdade, para mim, nada disso é tão importante como o simples fato de o público ter se unido para expor sua real opinião em eventos como o cala a boca Galvão, cala a boca Tadeu Schmidt ou dia sem Globo. Em todos esses eventos, não foram duas ou três pessoas falando para milhões, mas sim milhões se expressando para milhões. 

Pela primeira vez, a emissora tem de lidar em tempo real com algo que nunca lidou: a opinião direta do grande público, sem filtragem e seleção dos institutos de pesquisa ou edição dos comentaristas. É o mundo dialógico batendo na porta do "plim plim" e nesse cenário, quem poderá prever as próximas manifestações? Quais são e serão seus efeitos? Isso tudo é, digamos, apenas um começo. O público percebe que além do poder de escolha (de canal), também tem o direito de se comunicar, expressar e discordar das vozes midiáticas e ainda ganhar notícias no New York Times ou El Pais. Importante lembrar que tudo isso aconteceu com pouco mais de um terço da população acessando a internet, e essa parcela aumenta a cada dia. E como disse Stephan Zweig, "o Brasil é o país do futuro".

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