16/06/2010

Uma religião chamada Apple


Apple se transformou praticamente em uma religião nos Estados Unidos e mesmo em outras partes do mundo. Seus clientes amam a empresa e não gostam de comprar nada dos concorrentes.

Eles demonstram uma fidelidade rara em relação a outros setores da economia e gastam o quanto for necessário para ter o último lançamento da empresa que, há algumas semanas, se transformou na companhia com maior valor de mercado na área de informática, superando a gigante Microsoft.

Nesta semana, da mesma forma que ocorreu quando foi lançado o iPad alguns meses atrás, os seguidores da Mac invadiram as lojas para comprar o novo iPhone 4. Quando um modelo desse aparelho foi encontrado em um bar de San Francisco, passou a ser estudado como um "graal" pelos especialistas em informática. Imediatamente, os religiosos da Apple já sonhavam em comprar esse novo produto. Um verdadeiro seguidor possui um iPhone, iTouch, Apple TV, Mac Book Air e, claro, o iPad.


Como seitas religiosas, a Apple tem o seu símbolo na maçã, segundo estudiosos do marketing da empresa, que pode ser o equivalente à cruz ou à estrela de David. Os fanáticos pela companhia se identificam ao ver esta marca nos seus aparelhos e alguns chegam a tatuá-las. "Nós somos usuários de Mac, e isso significa que temos valores comuns", disse o psicólogo especializado em marcas David Levine em artigo da revista Wired


Ídolo  


A Apple também tem o seu guru na figura de seu fundador e líder Steve Jobs. Nos anos em que ele esteve fora da empresa, a companhia perdeu importância. Seu retorno, há pouco mais de uma década, fez a Apple alterar a forma como o mundo ouve música, fala ao telefone, navega na internet e, com o iPad, como lemos livros e jornais.

Seu perfil também se difere do de outros magnatas da internet, como Bill Gates ou os donos do Google, com imagem de nerds da informática. Jobs é visto como descolado pelos jovens, com sua blusa de gola rolê preta e calça jeans. Nem mesmo o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, de apenas 26 anos, consegue atrair a juventude como Jobs. A sua apresentação no lançamento do iPad, em janeiro deste ano, conseguiu o mesmo espaço nos jornais que o discurso do Estado para a União, de Barack Obama, no mesmo dia. 


"O fundador da Apple, Steve Jobs, é visto como uma figura religiosa, uma espécie de Krishna, do Hinduísmo. Ele lutaria contra o `Império do Mal´, da Microsoft, e seu líder, o `Anti-Cristo´ Bill Gates", escreveu o acadêmico Russell Belk no seu estudo "O Culto da Macintosh", como são chamados os computadores da Apple, geralmente apelidados de Mac.


Templos 


Não faltam nem mesmo templos para a Apple, onde as pessoas podem ver os produtos da empresa como se fossem imagens religiosas, ainda que não os comprem. Seus vendedores seguem sempre o mesmo padrão e uniforme que lembra as vestimentas de Jobs. Seriam como padres e freiras recebendo fiéis. Em Nova York, será mais fácil um turista ou mesmo um morador indicar a loja da Apple mais próxima, do que uma igreja ou sinagoga.

Sempre de vidro, elas se localizam em pontos estratégicos da cidade. A mais antiga, considerada a catedral da Apple, aberta 24 horas e lotada mesmo às 4h da manhã, fica na nobre esquina da Quinta Avenida com a Central Park South, diante do tradicional Hotel Plaza. Duas outras estão em bairros da moda, como o Soho e o MeatPacking. A quarta, inaugurada há alguns meses, fica ao lado do Lincoln Center, considerado o maior centro cultural dos Estados Unidos.


Jobs fundou a Apple em 1976 e foi responsável, junto com seus sócios, por fabricar o primeiro computador pessoal. No meio dos anos 1980, brigou com a direção e deixou a empresa, voltando mais de uma década depois. Retornou em 1997 e iniciou uma revolução na Apple que afetou setores como a música, a telefonia e a internet.


Minimalista 


Antes de seu retorno, a tendência nos computadores e aparelhos de informática era fabricar produtos com uma série de botões e funções complicadas para os consumidores. Como Coco Chanel na moda, ele optou pelo minimalismo. E veio a revolução com o iPod. Em um produto de apenas um botão, ele conseguiu permitir que as pessoas levassem centenas ou mesmo milhares de músicas. Em seguida, foi a vez do iPhone e, agora, o iPad, um computador sem teclado físico.

Enquanto a Microsoft, segundo analistas, parou no tempo, a Apple não para de inovar, batendo recordes de patentes. Aliás, jornalistas da área de informática, que alguns anos atrás se focavam no Media Lab do MIT para saber qual seria o próximo avanço tecnológico, hoje se debruçam sobre os produtos patenteados pela Apple para saber como será o futuro daqui a algum tempo.


O Google, diferentemente da Microsoft, tem inovado. Sua plataforma de navegação na internet, conhecida como Android, recebe elogios de especialistas e muitas vezes é opção de consumidores que não seguem a "religião" Apple. Em centros urbanos distantes de cidades da costa, como Boston e San Francisco, os aparelhos que utilizam o Android são bem mais populares do que o iPhone. O BlackBerry, por sua vez, dominou o mercado corporativo pela facilidade de enviar e receber emails.

(Publicado originalmente no Estado de São Paulo e reproduzido no sítio do OI, escrito por Gustavo Chacra)

2 comentários:

  1. A Apple faz mesmo muitos admiradores. Já vi até adesivos para enfeitar os produtos que interagem com o símbolo. É fantástico!

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  2. mas há um certo exagero nessa devoção simbólica, pois a Apple representa o que há de mais moderno. por isso as pessoas gostam de vincular suas imagens com a da Apple, no intuito de se parecerem melhores do que realmente são.

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