27/07/2010

Para quem não tem sete vidas

Um garoto, um jovem, um adolescente, um menino, um homem, um cidadão. Talvez fosse um pouco de cada, mas agora já não é mais nada, não nesse mundo. Com seus 14 anos, nada mais viverá. Levou um tiro  de um PM na nuca. No país no qual não há pena de morte, um jovem foi sentenciado a morrer com um tiro na nuca, em Fortaleza. Seu crime? Simplesmente nenhum. E se fosse um criminoso, assassino, PM bandido ou político ladrão? Nem assim deveria morrer.


Um outro menino, um garoto, jovem, cidadão, carioca, estudava no subúrbio do Rio de Janeiro. Tinha apenas 11 anos de idade e assistia sua aula no CIEP em Costa Barros. A polícia do estado fluminense fazia uma operação na região e acertou um tiro de fuzil no coração do garoto. O governador pediu desculpas para a família.


Um carro enguiçado causava barulho e estava a incomodar. O vizinho, irritado, resolveu tentar solucionar o problema e disparou sete tiros no carro. O autor dos disparos alegou ter uma criança doente em casa e por isso atirou (sem silenciador). Era meia-noite e o ambulante teve seu carro alvejado por um PM.


Não são casos isolados, infelizmente. A Polícia Militar recebe dinheiro público para cuidar da segurança pública. Nós, cidadãos, quando mantemos relação comercial com uma empresa privada que não cumpre suas obrigações, trocamos de empresa e processamos a antiga por suas faltas. Mas quando se trata do poder público, ficamos um pouco mais abestalhados. 

Continuamos pagando nossos impostos e sustentando a incompetência alheia. Isso para não falar de desvios de verba pública (popularmente conhecido como roubo), e outras coisinhas mais. Ainda conseguimos fazer pior, quando elegemos os mesmos políticos para os mesmos cargos. De vez em quando os premiamos, elegendo-os para cargos maiores na hierarquia política.

Quantas vidas terá que se perder para que nossa indignação seja maior que nosso silêncio? Quantos tiros serão necessários para mudarmos nossos conceitos? De quantas estatísticas precisaremos para nos interessarmos por política com seriedade? Será que o melhor que podemos fazer é pedir para Deus por um pouco de paz? Será que Deus negligencia nossos pedidos esperando que a gente se mova?

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