25/07/2010

Stallone e a nação de mau humor

Dizem que Stallone fez uma piada de mau gosto e, por isso, ofendeu toda a nação brasileira. Primeiro quero dizer que não estou ofendido, nem feliz, nem triste por conta desse episódio, apenas pensativo, quase confuso. Se Stallone só fez uma piada, por que ofenderia brasileiros, que têm por característica principal fazer piadas de todas as situações, inclusive desgraças? Uma nação que adora fazer piadas de português, argentino e paraguaio, mas não tem senso de humor?
Para mim, piada de mau gosto é nomear um prato culinário de Eliza Samudio, referindo-se ao modo como, provavelmente, foi morta. Pode ser engraçado para alguns, mas talvez seja horrível para familiares e amigos. Mas, enfim, o notável pensador Rambo disse:
"Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem para você, 'obrigado e tome aqui um macaco para você levar para casa'".
É bem verdade que se isso foi uma piada, não teve muita graça, faltou qualidade, mas não se deve esperar muito de Stallone nesse sentido. O Brasil sentiu-se ofendido com essa afirmação por mostrar nosso povo como servil, um pouco bobo e deslumbrado. Isso não é propriamente uma piada, mas sim uma crítica. Não foi a piada que ofendeu, mas sim a crítica, a colocação. Mas o povo brasileiro poderia não se sentir ofendido e apenas demonstrar que isso é mentira. Quem sabe, poderia somente ignorar.
A outra dita piada de Sylvester, que para mim é mais uma crítica, foi resumida nos jornais da televisão. Literalmente o Cobra falou:
"Os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar".
Para mim, nada nessa colocação lembra uma piada. Independente de sentir-se ofendido ou não, o povo brasileiro poderia pensar melhor nessas frases. Pode ser apenas a visão errada de alguém que visitou o páis, mas também pode ser a visão de muitos estrangeiros sobre o Brasil, quiçá não seja a visão de muitos cariocas. A violência no Rio de Janeiro é uma questão problemática ou pelo menos era, até semana passada. Não sei.
De qualquer modo, nessa semana cheguei a ver jornalistas televisivos pedindo ao povo para não assistir o filme do mercenário Stallone. O que isso tem a ver com jornalismo? Desconheço, mas eu não ia mesmo ver, pois não gosto desse tipo de filme. A cada dia que passa, fica mais difícil Hollywood me convencer de ir ao cinema e não seria uma declaração de Stallone que mudaria esse fato. O mesmo posso dizer sobre ver jornais na TV ou ler os impressos da grande imprensa.
P.S.: em tempo: assim como existe o movimento para não assistir ao filme novo de Stallone, sugiro um outro similar, para mostrar nosso apoio ao Felipe Massa. A partir de hoje, ninguém mais compra Ferraris. Eu não vou comprar e posso garantir.

Um comentário:

  1. Beleza de explanação, ficamos preocupados com o que se fala do nosso país lá fora, e esquecemos de de nos impenharmos em melhorar internamente.
    Abraço

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