09/07/2010

Twitter 10 x Globo 0


A Rede Globo já não é mais aquela. O jornalista Marcos Uchoa fez uma análise sobre a atuação do Brasil na Copa totalmente motivada pelo rancor da emissora. O rancor de uma empresa de comunicação que foi barrada por um homem que, mesmo sem conseguir a Copa, ganhou apoio do Brasil. O Dunga foi aplaudido ao desembarcar em Porto Alegre. E o pior: o repórter ganhou um singelo #Cala boca Marcos Uchoa, no famigerado Twitter.


O Twitter virou uma espécie de "Fala que eu te escuto" dinâmico e em real time. Nada escapa aos olhos dos seus seguidores. O azarado do Mick Jagger, a morte de um homônimo do Schwarzenegger, Larissa Riquelme, enfim, tudo é comentado ali. A Globo, obviamente, está sempre nos mais comentados por ser o maior canal de comunicação do país. Porém, as críticas à emissora são ácidas, contundentes e revelam que o povo aprendeu uma palavra nova: manipulação.

Como tenho certeza que nem todos tiveram acesso aos livros da Marilena Chauí, devo crer na conscientização dos twitteiros como sendo advinda da própria internet. As discussões das redes sociais, as leituras de blogs de famosos e anônimos, a abertura de portais de opinião e entretenimento estão mudando o perfil das discussões. A saga Crepúsculo sumiu dos TTs (Trending Topics) graças a Deus e vem dando lugar a frases de apoio ao ex-técnico da seleção brasileira, ao linchamento do Felipe Melo, à escolha do candidato a vice de Serra, à manipulação das pesquisas do Datafolha e, principalmente, às críticas à Rede Globo de Televisão.

"Diego, no se va"

O Observatório da Imprensa está ganhando proporções maiores do que o seu site. A discussão sobre os meios de manipulação, digo, meios de comunicação no nosso país, está se tornando mais ampla. Somente entre os repórteres esportivos da emissora, temos quatro homenageados. Os Cala bocas Galvão, Tadeu Schmidt, Alex Escobar e agora o Uchoa. Ou seja, existe um canal de comunicação que a Rede Globo ainda não domina: o Twitter. E nessa nova rede, podemos encontrar frases como: @realistasp Apesar da derrota, Dunga teve a coragem de enfrentar o monopólio da Globo e o jornalismo medíocre da nossa "imprensa esportiva". #valeudunga

Mas o império contra-ataca. A maior revelação da Copa do Mundo foi o jovem VJ da Globo, o Tiago Leifert. Esse rapaz conseguiu movimentar o Twitter, ganhou a simpatia do povo e, mesmo sendo da Globo e defendendo o posicionamento da empresa, conseguiu sair ileso, sem nenhuma retaliação. Tiago parece ter saído da MTV para criar o Rock´n Gol na emissora do "plim plim". A Central da Copa, que vai ao ar muito tarde, como todos os bons programas da Globo, deu um show de informação e bom humor. Aliás, bom humor há muito tempo sumido da emissora.

Quanto ao seu colega Uchoa, infelizmente não conseguiu convencer os "twitteiros" de plantão. Dunga perdeu a Copa e ficamos tristes, mas não adianta mais incitar raiva contra o capitão do tetra. Confinamento, não. Concentração. O time jogou com o técnico e teve a "cara" dele em campo. Se Robinho gritou contra a Holanda, ele também sorriu muito contra o Chile. E para a tristeza das emissoras, os "meninos da Vila", que até agora só jogaram bola no Campeonato Paulista, esperarão para 2014 para vestir a "amarelinha". Talvez até lá a "Rede dos Marinhos" tenha aprendido a lidar com o Twitter e sofra menos por não conseguir manipulá-lo, como nessa Copa.

E se o Dunga precisa aprender a consolar seus jogadores na derrota, como fez o Maradona, o Brasil e sua imprensa precisam aprender a tratar o trabalho do técnico com mais respeito. A Argentina está na fila da Copa do Mundo há 24 anos, Maradona não ganhou nenhum título e foi recebido em Buenos Aires (mesmo depois de perder de 4 pra Alemanha), aos gritos de "Diego, no se va". Já o Dunga, com a Copa das Confederações, Copa América e o 1º lugar nas eliminatórias para a Copa, tem que ouvir o Marcos Uchoa. Tem horas que dá vontade de ser argentino... Mas isso passa muito rápido, graças a Deus.

(Por Erick da Silva Cerqueira)

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