19/08/2010

Maioria dos estudantes nos EUA acha que Beethoven é um cachorro

De acordo com uma pesquisa feita por acadêmicos da Universidade de Beloit, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, grande parte dos estudantes norte-americanos no início da vida universitária não consegue escrever em letra cursiva, acha que o e-mail é lento demais, que Beethoven é um cachorro e Michelangelo, um vírus de computador.

O estudo, divulgado nessa terça-feira (18/8), indica também que aqueles que se formarão em 2014 não sabem que a Tchecoslováquia existiu, que Clint Eastwood interpretou "Dirty Harry" e John McEnroe pisou numa quadra de tênis.

A pesquisa, denominada Mindset (modo de pensar), foi compilada pela primeira vez em 1998 a partir de perguntas feitas à geração que se formaria em 2002, pelo professor de Humanidades Tom McBride e o ex-diretor de relações públicas Ron Nief, da Universidade Beloit.

A produção da lista levou um ano, durante o qual Nief e McBride coletaram contribuições externas, estudaram minuciosamente jornais, trabalhos literários e a mídia do ano de nascimento das pessoas que entraram na universidade em agosto ou setembro, início do ano letivo nos EUA. "Em seguida, apresentamos as ideias a todos os jovens de 18 anos de quem conseguimos chamar a atenção", explicou Nief à AFP.

A intenção dos estudiosos era lembrar às autoridades educacionais como as referências culturais se perdem rápido, mas acabou se tornando uma popular lista anual que demonstra os conhecimentos de uma geração.

Esquecimento

Aqueles nascidos em 1980 acham que só houve um papa, João Paulo II, que assumiu em 1978 e morreu em 2008. Para os que chegaram ao mundo em 1981, a Iugoslávia nunca existiu e poucos entendem por que se escreve com letra maiúscula o nome do sindicato Solidariedade, nascido na Polônia, durante a Guerra Fria.

Outros exemplos de perda de referência cultural é que a maioria dos que nasceram em 1984 não tinham ideia de que algo como o apartheid existiu na África do Sul. Enquanto para os que hoje têm 29 anos, Mike Tyson foi "sempre um delinquente", os que são cinco anos mais velhos consideraram o boxeador "sempre um competidor".

"Há dois anos, havia alguns estudantes que (disseram) que aprenderam datilografia em uma máquina de escrever", enquanto agora há alguns de 30 anos que não sabem que a IBM foi fabricante de máquinas de escrever, disse Nief.

Para os alunos secundaristas que se formam este ano, a Alemanha nunca foi dividida, os atletas profissionais sempre competiram nos Jogos Olímpicos, os "reality shows" sempre existiram na televisão e as companhias aéreas jamais permitiram fumar a bordo.


Publicado no Opera Mundi

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