11/10/2010

Globo, Estadão e uma análise simbólica - a revolta da claque

A primeira página do jornal O Globo (campeão de semiótica) e do Estadão de hoje são semelhantes. Como sempre, nenhuma surpresa. As manchetes referem-se ao ataque de Dilma. Para os jornalões, um debate no qual Serra ficou sem argumentos em muitas questões representa um ataque. Claro, são incapazes de admitir o desequilíbrio tucano, então levam suas análises para o campo da guerra, da estratégia e até mesmo ao campo emocional da ira, como fez Sérgio Guerra ao chamar Dilma de agressiva. Como disse no início do parágrafo, sem surpresas.

O PSDB e sua claque (Globo, Veja, Estadão e Folha) não compreendem argumentos. Ninguém precisa gostar de Dilma ou concordar com suas idéias políticas e o mesmo serve para o Serra, afinal, vivemos numa democracia. Mas o que se espera de um segundo turno é exatamente um debate entre projetos políticos. Mas tenho a impressão de que a claque não gosta de projetos políticos e sim de um projeto político, no singular mesmo.

O candidato Serra ficou tão desarticulado com a firmeza de Dilma que a claque teve que revidar. Como? Fazendo jornalismo e análises políticas? Não, isso seria a realização de um sonho. Apenas resolveram tachar Dilma de agressiva e dizer que ela partiu para o ataque. Querem desmanchar o debate entre projetos políticos e criar um ataque inexistente. Desejam sim que isso torne-se uma guerra e inflamam a questão do aborto ao exagero, que parece ter se tornado o ponto central do segundo turno. Mas não é!

Ainda na primeira página de O Globo, no cantinho inferior da direita, uma charge. Serra pede ao membro da Opus Dei e governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um crucifixo. Simbolicamente, o crucifixo serve para se defender de vampiros e demônios. A mensagem subliminar desta charge não é difícil de interpretar. Pretendem levar o segundo turno de 2010 para o terreno da ficção, de anjos e demônios, de questões religiosas que certamente não são o cerne dessa eleição e nem de nenhuma outra.


Como sempre, tudo o que a velha mídia faz é deturpar os valores reais de nosso povo e impor, goela abaixo, outros que não são os nossos principais. Levam todo um embate político para o lado religioso, no qual a razão e o pensamento não se mostram como os pontos principais: tudo se torna uma questão de crença e fé. Sim, porque racionalmente não possuem argumentos sólidos. Serra, um neoliberal como FHC, ontem falou em estatizar empresas. Só falta agora os comunistas se tornarem banqueiros e os anarquistas apoiarem a volta da monarquia..

4 comentários:

  1. Ótima análise sobre as mensagens icônicas e linguísticas dos veículos que servem à candidatura do Serra. Assim, eles vão perder! E nós vamos ganhar!

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  2. Gostei muito da análise tb, principalmente das comparações no último parágrafo...

    Muito inteligente o texto

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  3. Muito obrigado. Acho importante estarmos atentos sempre aos jornais simbólicos brasileiros.

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  4. Queria te dar parabéns mais uma vez pelo belíssimo trabalho! Teu blog é muito bom!
    Sucesso! Te amo!

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