11/10/2010

TEMPO DE MUDANÇA

Escrito por Emerson Sitta

Envolvido com tudo que pode ser diferente, tento hoje entender o princípio de humanidade mais simples que existe: o relacionamento. Nada além disso. A verdade instintiva, a proximidade e o enlace marcaram a história do homem. Como negar essa materialidade histórica?


Parece mínimo, mesquinho até. Por que não ensinar a viver vivendo? Como podem os irrestíveis senhores do mundo, pensarem que nos acomodaremos com regras e religiões? Dentro de nós mora um anjo que combina ideias e faz comparações. Do mais simples pedaço de pão a mais complexa filosofia. 

Durante décadas nos apaixonamos pela repetição. Os bons eram repetidores. Aqueles que sabiam, tinham a resposta na hora certa. Sem hesitar. Conceito, teorias, uma fuga. Nada de novas filosofias. Em tempos de guerra, melhor ensinar a cantar o hino, antes que o vento se encarregue de destruí-lo.

De repente, presente, uma nova ideia. O sentido da interação, da convivência, do viver com o outro. Do momento em que nos entregamos a experiências com o outro, e no diálogo, na troca, nos tornamos outro e outro e outro. A mudança está no que produzimos. Se vemos o que podemos ver, entendemos que a máquina está para nos servir e nos livrar da imbecilização. Chega de horrores, pensamentos sem fim. Agora é hora de produzir conhecimento, pois dele próprio nos servimos. 

Nada de repetição, mas investigação. Dar voz e nada de submissão. Basta de reproduzir o modelo subdesenvolvido. Vamos dizer, cantar, publicar o que pensamos, juntos, indistintamente juntos. 

O que acha? O que pensa? O que quer? Quem quer ser? É hora de criticar. Produzir a vida, pulsar com ela. Deixar o plano da linha reta, alterar caminhos, escorregar em suas sinuosidades, ser naturalmente imperfeito e mais do que tudo, ser humanamente social.

É o tempo da revolução. Mas não de armas, de ideias. É o tempo de mexer com os olhos para dizer, balançar as mãos para cantar, sorrir por sorrir, ser irônico sem correr riscos. Tempo de avançar contra a minoria, contra a dominação. Tempo de inverter posições. Trocar de lado. 

Não há mais espaço para o centro, agora é o tempo da verdade que foi construída em conjunto. Tempo de produzir o que gozamos, sem nunca deixar de questionar. Fazer o trabalho investigativo, indisciplinado, mas nunca amargurado. 

A Revolução Cultural chegou. Passou pela Semana de 22, pela Poesia Concreta e todas que foram contra ela, pelo Tropicalismo. Mas parece que nada disso vingou. 

É hora de matar a imprensa. Relaxar a gravata da economia. Brincar um pouco mais com a indústria. Deixar o câmbio flutuante, abaixar os juros. Dizer não aos bancos. Quebrar os monópolios, abandonar as dívidas.

É hora de trocar de lado, a maioria ser maioria. Que morram os capitalistas que se orgulham de ser assim. Morram aqueles que impedem o crescimento, aqueles que se sentem importantes porque são responsáveis por mil empregos. Vida eterna para aqueles que são responsáveis por mil dúvidas, por desvios, por imprevistos, por sonegações, por escândalos, por medidas de apoio e não de contenção de despesas. 

É hora de ser Macunaíma. Ganhar prêmios por vingança. Atestar nossa criatividade para quebrar, sujar e tirar sarro dos países dominantes. É hora do verde que queima, do saber que a nossa história nos ensina. É hora da quebra, da ruptura, da falta de limite.
É preciso continuar a Revolução Cultural. Façam poesia, prosa, conto, novela, cinema, música, pintura, escultura, fotografia sem abandonar o Brasil...

(Impulso impulsividade, forma de conhecer, aprofundar, emoção racional, um tumulto de conceitos, fragmentos de erros, abstenções, fragilidades, a profissão, o professor, os contratos, os destinos, o mestrado, o doutorando, presente, passado, futuro e tudo gira assim, assim assim ...)

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