15/10/2010

A utopia é a alma da política

Pode ser que este seja o início de um texto ruim, com poucas esperanças e cheio de utopias. Meu semblante não disfarça o descontentamento com parte do povo brasileiro. O motivo é facilmente descoberto, mas nem por isso isenta-se de barbárie e oportunismo: são os MODOS.


Tenho opiniões e pensamento próprio e sei respeitar idéias amplamente contrárias ou até mesmo absurdas. Sim, basta olhar para o modelo de mundo de um cidadão que profere uma idéia absurda para se entender a natureza da mesma. É preciso olhar com calma, dialogar e conhecer mais para se compreender o OUTRO. Idéias, conceitos e pensamentos não me metem medo. O problema é COMO parcela de nosso povo age para que todos os outros engulam essas idéias.

Oras, você, caro leitor, tem todo o direito do mundo de ser contra ou a favor do aborto, do casamento homossexual, da liberação das drogas, da camisinha, das religiões, do voto obrigatório e do cacete a quatro. Você, caro leitor, não só pode como deve expressar todas as suas opiniões e caminhar sempre em direção ao debate e... STOP! Aqui as coisas começam a complicar, pois é nesse ponto que o Brasil segue para trás.

Parte do povo brasileiro não caminha para debate nenhum, pelo contrário, apenas inflama uma gritaria midiática insana exatamente para não haver debates de interesse público. Exala o cheiro de fascismo para criar o medo e tentar fazer com que setores da sociedade recuem de suas posições. Foi assim com a CONFECOM, com o PNDH 3 e está sendo novamente com as eleições 2010.

Desestruturam toda e qualquer iniciativa de construção política com ampla participação popular. Golpeiam qualquer tentativa de diálogo entre setores da sociedade. Não desejam avaliações ou análises. Não querem saber dos anseios democráticos de mais de 190 milhões de brasileiros. São monológicos e replicam apenas uma só voz.

Com isso, retrocedemos mais de quatro décadas em menos de um ano. Perdemos muito da democracia e ainda estamos a perder, sem que nenhuma ditadura assuma o poder. As vozes de um antigo fascismo já não se encontram com armas apontadas para as nossas cabeças, mas com capas e manchetes apontadas para nossos olhos. Seja nos impressos ou na televisão, a política no Brasil voltou a ser construída pela voz de quem grita mais.

Já não me importa se o aborto, o casamento gay ou a maconha será legalizada ou não. Agora, importa-me mudar os MODOS de parte da população brasileira. Não sou contra idéias, mas sou a favor de DIÁLOGOS. Quero debater os símbolos religiosos em repartições públicas e tantas outras questões de interesse nacional com pastores, padres, políticos, cidadãos e quem mais quiser participar.

Este blog está aberto a isso como sempre esteve, mas quero DEBATER e não engolir com medo a gritaria de seis ou sete famílias que dominam cerca de 80% da comunicação desse país, incluindo televisão, rádio e impressos. Quero um processo de democratização da mídia brasileira. Quero dialogar com todos e construir uma nação aberta aos debates entre todos os setores públicos. A utopia é a alma da política e meu corpo de carne e sangue ainda pulsa por muita vida.

Um comentário:

  1. Olá, meu blog está no 2º turno do prêmio TopBlog 2010. Clique e deixe o seu voto http://migre.me/1xmPf

    Já deixei aí o meu voto.

    Muito obrigado!

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