09/03/2011

Padrão Globo de dualidade - o filme

Cena 1

Li um artigo criticando as confusões criadas por uma matéria do jornal O Globo ao se referir ao filme Bruna Surfistinha. A matéria não deixava claro se falava da personagem Bruna, de Raquel - nome verdadeiro de Bruna - ou de Deborah, a atriz que interpretou Raquel que ganhou o nome de Bruna. Em vários momentos durante o texto, a confusão é amplamente explorada.

Cena 2

Ontem, assistindo ao carnaval carioca transmitido pelas organizações Globo, minha mulher pergunta: qual o motivo de dois "jornalistas esportivos" apresentarem o desfile? Penso: será que é pelo simples motivo de o carnaval se parecer com uma maratona que exige preparo físico ou pelo jornalismo esportivo se assemelhar, o tempo todo, com uma cobertura carnavalesca?

Cena 3

Semana passada, em mais uma conversa com minha mulher, questiono: você já reparou que cerca de 95% dos filmes que a rede Globo transmite são norte-americanos, muitos deles repetidos inúmeras vezes? Ela respondeu que sim e replicou: qual o motivo? Eu disse: imagino que seja uma política de comunicação iniciada na ditadura militar, um período no qual quase nada se podia falar do Brasil. A política de alienação global fez sucesso.As únicas vozes pelas quais o Brasil escoa na Globo são as novelas, os jornais e os jogos de futebol, com mais ênfase para novelas e futebol. É nisso que o brasileiro se "reconhece". Por isso temos memória fraca, não somos autores de nossa história e somos, em maioria, apenas replicantes de um discurso pré-moldado.

Cena 4

Por qual motivo um povo reconhecidamente conservador, como o povo brasileiro, está indo tanto ao cinema para assistir o filme da Bruna Surfistinha, que já fez muito sucesso com seus livros e blog? Será que o brasileiro é hipócrita e só mantém o conservadorismo nos discursos ou frequenta o cinema como quem vai para um culto religioso de recuperação dos degradados?

Cena 5

Mais de 500 mil pessoas foram mortas nos últimos 10 anos em solo brasileiro. O fato de a esmagadora maioria de 67,1% ser negra comprova (ou não) as teses lançadas por Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, no livro Não Somos Racistas? Ou essa é mais uma confusão, como a descrita na Cena 1, com intuito claro de confundir e alienar o cidadão como descrito na Cena 3? Será que todo o jornalismo se transformou no carnaval da Cena 2? Ou simplesmente somos hipócritas, como na Cena 4?

Conclusão

Esse filme ainda não teve seu final escrito. 

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