03/05/2011

CÓDIGO FLORESTAL - As manobras diversionistas

Por Luciano Martins Costa - O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) declarou – e quase toda a imprensa engoliu a história – que ele havia recuado no projeto de mudanças do Código Florestal, passando a admitir a manutenção de margens mínimas de 30 metros de matas para proteção de rios. A notícia havia sido divulgada no domingo (1/5) pelo Globo e foi confirmada na segunda-feira pelos outros jornais. Nas edições de terça (3), todos os jornais repetem a lenga-lenga, que no entanto não convence os ambientalistas.

O relatório de Aldo Rebelo não pode ser aprovado simplesmente porque não tem base científica. É uma confusa mistura de conceitos que tem como objetivo claro reduzir as exigências para a defesa do patrimônio ambiental.

Uma curta entrevista publicada pelo Estado de S.Paulo, que ouviu o engenheiro agrônomo Alceo Magnanini, de 85 anos, revela mais sobre o projeto do que dezenas de reportagens contando o vai-e-vem de Aldo Rebelo. O veterano ambientalista, que foi um dos autores do Código Florestal original, criado entre 1963 e 1965, afirma que o relatório do deputado Rebelo é um atentado à soberania nacional.

Sem contexto

Um resumo publicado pela Folha de S.Paulo ajuda a entender as mudanças propostas pela bancada ruralista, interessada em ampliar indefinidamente as fronteiras agrícolas. O agrônomo Magnanini argumenta que o Brasil não precisa expandir as áreas de plantio, mas intensificar os processos de produção.

Outro detalhe abordado na entrevista é a discussão aceita pela imprensa, em torno da formação das matas ciliares. Ele observa que a questão não é plantar árvores ao longo dos cursos d’água, mas restaurar as florestas.

Em praticamente todo o noticiário, a imprensa tem entrado no debate sobre a proposta de reduzir de 30 para 15 metros ou menos as faixas de matas para proteção dos rios, presente no texto de Rebelo. Mas a questão central, lembrada por Magnanini, é a recuperação das florestas, com toda sua complexidade biológica. Só as florestas podem proteger da erosão as terras agriculturáveis.

Trata-se, no fim das contas, de proteger os próprios agricultores de sua insensatez, e com isso preservar o interesse nacional.

Ao dar a palavra aos protagonistas dessa disputa, a imprensa deveria contextualizar cada um deles, revelando o histórico de cada grupo de interesse e suas ações sobre o território nacional.

Os debates não deveriam ser liderados por um parlamentar que não sabe diferenciar um pé de alface de uma samambaia e que foi financiado pelas forças conservadoras que tradicionalmente desprezam o patrimônio ambiental do país.

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