02/05/2011

Fatah e Hamas divergem na morte de Bin Laden, um dia antes da reconciliação oficial

Ismail Haniyeh, líder do Hamas em Gaza, condena "o assassinato e a morte de um guerreiro árabe sagrado" (Foto: Mohammed Salem/Reuters/arquivo)
Publicado por Publico - A morte do líder da al-Qaeda, Osama Bin Laden, é vista de formas distintas pelas principais facções palestinianas. Onde a Fatah vê um acontecimento que beneficia a paz mundial, o Hamas encontra razões para condenar as forças norte-americanas. A divergência antecede a assinatura de um acordo de reconciliação entre ambas que demorou ano e meio a alcançar.

“Livrarmo-nos de Bin Laden é bom para a causa da paz mundial, mas o que importa é superar o discurso e os métodos – os métodos violentos – que foram criados e incentivados por Bin Laden e outros em todo o mundo”, disse, segundo a Reuters, Ghassan Khatib, um porta-voz da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), cujo Presidente é Mahmoud Abbas, da Fatah.

O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, tem outra leitura. “Encaramos este acontecimento como a continuação da política americana baseada na opressão e no derramamento de sangue muçulmano e árabe”, afirmou Ismail Haniyeh, chefe de governo em Gaza. “Condenamos o assassinato e a morte de um guerreiro árabe sagrado. Pedimos a Deus que seja misericordioso com ele, junto com os verdadeiros crentes e os mártires”, acrescentou.

As posições contrárias surgem a um dia de a Fatah e o Hamas se reunirem ao mais alto nível no Cairo para assinar um acordo de reconciliação. A Jihad Islâmica, a Frente Popular pela Libertação da Palestina, a Frente Democrática de Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino também foram convocados, com o objectivo de formar um governo composto por personalidades independentes e avançar para eleições presidenciais e legislativas dentro de um ano.

Khaled Mechaal, líder do Hamas, chegou à capital do Egipto este domingo. Mahmud Abbas, Presidente da ANP, é esperado amanhã, dia de assinatura do acordo. Na quarta-feira, devem estar juntos numa cerimónia que marca o fim da divisão palestiniana. Este entendimento já provocou uma acção de protesto de Israel, que considera o movimento islamita Hamas uma organização terrorista. O Estado judaico suspendeu a transferência de fundos para a ANP.

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