31/05/2011

Mídia protege anunciantes em investida contra Palocci

Publicado por LEN
Os veículos de imprensa da velha mídia esgrimam seletivamente dados obtidos ilegalmente de faturamento e clientes da empresa Projeto do ministro Antonio Palloci, no entanto, eles possuem informações mais completas que por motivos comerciais não podem divulgar.

Como foi antecipado por este blog no dia 20 último (Jornalismo mafioso: Folha quebrou ilegalmente sigilo de empresa de Palocci?), as suspeitas recaem sobre a Secretaria de finanças do município de São Paulo, administrada pelo ex-secretário de José Serra, Mauro Ricardo. As suspeitas ganharam fôlego após declaração feita pelo ministro-chefe da secretaria-geral da presidência da república, Gilberto Carvalho.

Essas suspeitas não são frutos de teorias conspiratórias, são baseadas nas informações que até agora foram divulgadas, que batem com as informações que as empresas fornecem para pagamento do imposto ISSQN, no detalhamento das notas fiscais emitidas, e que só o município pode ter além da própria empresa e seu contador.

Com as informações de vazamento em mãos, inclusive toda a lista de clientes da empresa Projeto, estranha o fato da insistência desses veículos para que Palocci venha a público revelar os clientes para os quais sua empresa prestou consultoria. Porque o interesse na revelação de algo que tem conhecimento prévio?

A única empresa revelada até agora pela imprensa é a W-Torre, uma empresa de engenharia e administração imobiliária que não é um grande anunciante dos veículos de comunicação. Existe uma lista em blogs e sites de menor expressão que está circulando desde o último dia 19, que contém supostos clientes da empresa Projeto.

Esta lista que surgiu em um site pouco conhecido com a alegação que foi vazada por parlamentares, foi republicada no blog do jornalista Vicente Nunes do Correio Braziliense, e daí pára o Blog do Mello. Nela estão as empresas: Pão de Açúcar, Íbis, LG, Samsung, Claro-Embratel, TIM, Oi, Sadia Holding, Embraer Holding, Dafra, Hyundai Naval, Halliburton, Volkswagen, Gol, Toyota, Azul, Vinícola Aurora, Siemens, Royal Caribbean, Itaú e Unibanco.

Passaram-se 12 dias da sua primeira divulgação e nenhum veículo de grande expressão se interessou em publicar o seu conteúdo ou questionar as empresas sobre a veracidade da informação? Porque será?

Existem dois grandes motivos para que essa lista nunca seja publicada: São grandes anunciantes e enquanto grandes empresas possuem assessorias jurídicas de peso. Chegamos então à resposta para a pergunta feita lá em cima. A velha mídia pressiona Palocci a divulgar o que já conhecem, pois tem o rabo preso, estariam sujeitas a uma montanha de processos por divulgação ilegal de sigilo comercial e perderiam anunciantes. Digamos que ter o nome de suas empresas relacionadas como corruptores de agentes públicos não seria nenhum golpe publicitário desejável.

Mas porque Palocci não divulga a lista se não se trata de nada ilegal? Pelos mesmos motivos expostos acima, ele estaria sendo pressionado para não divulgar sob pena de receber processos por quebra de cláusula de confidencialidade.

No caso da W-Torre, por ser o primo pobre da lista, não era preciso muita preocupação por parte dos veículos de comunicação por não se tratar de um grande anunciante, e além disso, se houver alguma ação judicial por danos materiais, existe aquela verba especificamente reservada para indenizações por assassinatos de reputação.

O que sobra então desse jogo de interesses corporativos? uma denúncia esquizofrênica que trata de um suposto corrupto sem a definição dos corruptores. Como o Mello bem chamou a atenção em seu blog, porque a velha mídia não procura as empresas que contrataram a consultoria da empresa de Palocci e perguntam qual o interesse delas e qual as vantagens com o tráfico de influência que acusam?

Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso já percebeu que a única coisa que não está em jogo nessa guerra dos veículos de comunicação com o governo é o interesse na moralidade do serviço público. Se você, amigo do blog, ainda tem dúvidas, procure os veículos de comunicação e exija que façam jornalismo e investigue as empresas citadas.

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