10/05/2011

A última vitória de Bin Laden

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, algumas análises apontaram que a melhor reação ao terrorismo islâmico era negar sua essência genocida e autoritária, fortalecendo as instituições republicanas e os organismos internacionais, apostando na legalidade e na tolerância. Afirmava-se que a transformação dos EUA e de seus comparsas em regimes conduzidos pelo barbarismo vingativo significaria o verdadeiro triunfo de Osama Bin Laden. Incapaz de vencer as potências militares através da ação direta, ele contaminaria os inimigos com um vírus autodestrutivo que os abalaria não física, mas culturalmente.

As previsões concretizaram-se. As democracias mais desenvolvidas do planeta foram arrastadas para um ciclo vicioso de invasões ilegítimas, guerras sanguinolentas, ocupações irremediáveis, Estados de exceção, violações dos Direitos Humanos, paranóia, mentira. O império viu-se derrotado no front ideológico (a pretensa missão civilizatória) e no da segurança objetiva. Não erradicou a ameaça terrorista nem evitou que milhares de seus jovens fossem mortos ou feridos em combate.

Triste fim para a fantasia do Destino Manifesto que moveu os pioneiros da independência estadunidense. Bin Laden sai de cena (ou sua imagem passa a atender outras conveniências de Washington) deixando um retrato inesquecível da decadência moral dos EUA. E certamente há algo de melancólico na figura de Barack Obama, negro, democrata e Nobel da Paz, chamando tortura e fuzilamento de “justiça”, ordenando um assassinato extrajudicial, violando em segredo a soberania de um país aliado, ocultando provas de uma execução e tentando enganar um planeta incrédulo.

Escrito por Guilherme Scalzilli, historiador e escritor - http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

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