14/06/2011

Descompasso...até quando?

Por Denise Queiroz - @DeniseSQ

“Quem não se comunica se trumbica” foi um dos jargões que Chacrinha nos deixou de herança. E vale tanto para bebê que não chora quando a fome aperta até para o motorista que acha que aquela alavanquinha ali embaixo do volante e ao alcance dos dedos é um mero enfeite.

Gaúcha “desterrada”, comecei a acompanhar o twitter em abril do ano passado, quando os queridos blogueiros do RS apontaram que @TarsoGenro, então candidato a governador do estado, estava se comunicando com a militância por esse meio. Em seguida descubro que a candidata a presidenta também usava a rede social - e muitos e muitos outros candidatos país afora. Ministros, coordenadores de campanhas e a militância, todos no twitter, trocando caracteres medidos que nos instavam a seguir e seguir, que deram origem a posts e campanhas pontuais, a denúncias! Links de algum fato do interior do Pará eram replicados imediatamente na timeline, assim como as trapalhadas da campanha tucana, tanto da majoritária quanto das proporcionais. Teríamos conseguido impedir que a impressão dos malfadados panfletos apócrifos distribuídos nas portas das igrejas continuasse, não fosse essa teia de militantes acompanhando e disseminando as informações que chegavam quentinhas dos celulares de quem estava na porta da gráfica? Pode ser, mas a instantaneidade nesse e em outros casos fez toda a diferença.

Chegou 1º de novembro e elegemos a presidenta Dilma, como havíamos elegido em 3 de outubro a muitos senadores com quem interagíamos, deputados, governadores! Asseguramos a continuidade do governo Lula, e a euforia tomou conta da militância. Com a eleição, garantimos a democracia, a participação, a luta pelo fim da miséria, a permanência dos canais de diálogo que foram estabelecidos ao longo da campanha. Né? Parece que não! Semana passada quando o ministro da casa civil foi substituído pela senadora Gleisi, levamos algumas horas para ter a notícia oficial. E os mais afoitos tivemos que nos contentar em engolir, não sem dose de mal estar e dúvida, o que os portais da grande imprensa traziam em letras garrafais. Sexta-feira quando da troca de comando da Articulação Política e da Pesca, o mesmo!

Aí só resta um super ALOU para quem está lá no palácio do Planalto – teoricamente - cuidando da comunicação: existe uma coisa chamada twitter, existe uma coisa chamada blog do planalto, existem redes sociais, existe algo chamado TV Brasil, outra chamada NBR, existe uma coisa chamada COMUNICAÇÃO!

Não queremos mais ter que acessar uols ou globos da vida para saber o que está acontecendo no país! O esquecimento de que "quem não se comunica se trumbica" pode ter a mesma conseqüência do não uso da alavanquinha que está ali, ao alcance da mão de quem está ao volante e que liga a luz do ‘viro à esquerda na próxima entrada’. Mas neste caso mais séria um pouquinho, não lhes parece?


Com a deficiência nessa área que o governo tem demonstrado, podemos ainda crer – como queremos e pensamos ser mais que necessário e urgente – que haja vontade de enterrar de vez a odiosa frase 'não saiu no Jornal Nacional, não aconteceu' ?

PS. O governador Tarso Genro continua se comunicando pelo Twitter diariamente e já criou um gabinete digital para que a população possa se comunicar diretamente com toda a administração do estado. No estado da Bahia o governador Jacques Wagner segue a política de descentralização das comunicações e de participação da sociedade nas discussões, iniciada no governo anterior. No plano federal, só alguns ministros como o @padilhando dedicam tempo à militância, esclarecendo questões via Twitter. E alguns ministérios mandam links de algumas ações. Muito pouco! A sensação de que os impostos pagos em alguns estados (e o esforço da militância em eleger esses representantes) estão sendo melhor empregados que os federais, pois não? A presidenta Dilma, que logo depois da vitória agradeceu o apoio das redes sociais e disse que estaria mais presente em 2011, sabemos que está trabalhando muito, como o fazem o presidente Chavez e a presidenta Cristina Kirchner.

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