20/06/2011

Nunca subestimes o poder dos estúpidos em grandes grupos

"Nunca subestimes o poder dos estúpidos em grandes grupos."
Um jovem acaba de completar 15 anos de idade. No início de 2011, havia recebido uma notícia fantástica: passara num dos colégios mais desejados do Rio de Janeiro. Com sua origem humilde, estudar nesse tal colégio de 2º grau técnico seria realmente uma vitória. Mas eis que surgem alguns problemas.

O primeiro deles seria sua própria mãe, que com suas limitações pessoais, estava desencorajando o filho a estudar: tinha medo do trote. O filho, mesmo um pouco tenso, estava ansioso para desfrutar de sua conquista e de fazer algo que realmente adora: estudar. 

O fato é que este jovem inteligente e de origem humilde sofre de obesidade. Seus irmãos são magérrimos e só ele é portador de um excesso de peso que o coloca em evidência para gente abestalhada e sem respeito. Ao frequentar o colégio, mesmo com medo, o jovem é alvo dos temidos trotes (aquela tradição estúpida que tem por objetivo humilhar os novatos).

As ameaças e humilhações não ficavam somente dentro do espaço do colégio. Seguiam com ele para a rua e até dentro de seu bolso, no celular, de onde ouvia antecipadamente as ameaças para o dia seguinte. Provavelmente, por sua origem humilde e obesidade, o trote com ele extrapolou a estúpida semana de tradição e continuou.

O pai do jovem tem um comércio a poucos metros de distância da escola onde aconteceu aquela terrível chacina, a tragédia de Realengo, protagonizada por Wellington Menezes de Oliveira. Seu filho, inteligente e obeso, sofrendo com um trote estúpido e sem fim, deve ter recebido esta tragédia de forma traumática, tanto por estar sofrendo no colégio quanto por estar tão próximo de uma chacina que comoveu o mundo.

Hoje, este jovem estudioso, inteligente, de origem humilde e obeso, não está mais frequentando o colégio. Pior: não sai mais de casa para nada. Quer ajuda para retomar sua vida, mas tem medo de fazer terapia, com receio de que o psicólogo ria de sua cara. Uma situação bastante delicada.

Esta história é real e preferi omitir todos os nomes para não expor o jovem e sua família. E se tenho algo a fazer aqui, visto que já existem pessoas tentando ajudá-lo, é pedir para que você, na condição de filho ou pai ou professor, olhe bem ao seu redor e não seja omisso com "certas tradições". Não quero acreditar que estamos vivendo num mundo onde cegos tentam enxegar somente seus umbigos. 

Queria acreditar que a direção deste renomado colégio tenta impedir a proliferação de um trote que só serve para humilhar os mais humildes. Queria acreditar que os pais dos agressores reconhecem seus filhos como realmente o são. E ainda quero acreditar que em 2012, este jovem inteligente e ainda obeso estará estudando no colégio para o qual tanto empenho dedicou, continuando a viver normalmente, sem mais ser um refém do medo.

3 comentários:

  1. As conseqüências afetam toda a sociedade. Tanto o agressor, como a vítima, ou até o espectador ficam com cicatrizes pra sempre. Acho que não há receita eficaz de como educar filhos, pois cada família é um mundo particular com características próprias. Mas, apesar dessa constatação, não se pode cruzar os braços e deixar que as coisas aconteçam. Em relação à escola, em primeiro lugar, de nada valerá falar sobre a não-violência, se os próprios educadores usam de atos agressivos, verbais ou não, contra seus alunos...

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  2. Este caso poderia ser levado à polícia?! A direção da escola diz que não existe trote mas dois alunos disseram que existe e é FODA. E aí?!

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  3. é óbvio que existe trote... um garoto não sai mais de casa pq? a direção da escola sabe de tudo e abafa....

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