11/08/2011

Como os EUA pagarão a dívida? Imprimindo dinheiro, claro

Funcionário da Casa da Moeda americana
A idade, em geral, traz a sinceridade. O ex-presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, ainda muito influente opinião econômica nos EUA disse o que seu discípulo Ben Bernanke, que o sucede na presidência do Federal Reserve, não pode dizer abertamente:

- Os Estados Unidos sempre poderão pagar todas as suas dividas, porque sempre poderemos imprimir dinheiro para fazê-lo.

Qualquer um de nós dizê-lo, embora óbvio, não tem a força de ouvir isso da boca do homem que, durante quase 19 anos, comandou a impressão do que é o valor mundial da economia: o dólar.

Greenspan fala como porta-voz oficioso do Fed. Estava, nesta entrevista à NBC, acompanhado do Presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, Austan Goolsbee, que dá uma risadinha sem graça, espantado com a crueza do que diz o “chefe”.

Porque é muito cru, mas verdadeiro, dizer que, sim, é assim mesmo que se faz um império: determinando como universais os padrões de valor – sobretudo o monetário – que regem as trocas econômicas e garantindo, com o poder político-militar, que elas lhe sejam vantajosas.

 Quando o dólar substituiu o ouro como padrão mundial, a partir da Conferência de Breton Woods, em 1944, fixou-se a moeda americana como paradigma do valor das moedas nacionais. Os EUA ganharam o direito de produzir valor em máquinas de impressão, e de colocar no mundo uma moeda que só em parte circulava, porque podia ser entesourada fisicamente e, portanto, não circular em sua economia. Àquela altura, vencedores de uma guerra mundial, imporiam qualquer coisa.

Imagine se você tivesse o poder de imprimir e usar como pagamento vales que seriam guardados e nunca cobrados…

Só que o mundo mudou. O dólar, naquela ocasião, mantinha uma relação de US$ 35 por onça troy (31 gramas). Hoje, são necessários 1,8 mil dólares para comprar o mesmo peso em ouro. O ouro, porém, já não é padrão para nada.

Greenspan, com a franqueza que o tempo lhe permite, desnuda o mecanismo de dominação econômica de que se valem os EUA. E deixa entrever que o colapso do Euro, alimentado pela crise das dívidas soberanas (?) dos países do Velho Mundo, é um dos caminhos para projetar a sobrevivência do dólar como padrão de trocas mundiais, sobretudo as financeiras.

O câmbio é a armada de Sua Majestade da nova fase do liberalismo.

Estropiado, com velas rotas, sem rumo e comando forte, ainda assim seus canhões são mortíferos. Quem não fortificar suas costas, quem não impuser controle sobre ele, quem não puder colocar controles sobre o embarque e o desembarque desse poder em seu território, será demolido pelos velhos, decadentes, mas ainda poderosos, galeões monetários e terá de seguir vivendo como colônia.

É por isso que, como dissemos antes, nos é exigida a abertura dos portos às “nações amigas”. E é por isso que temos de ter uma “alfândega” financeira muito sólida, baseada numa pergunta comezinha, simples, para o capital financeiro que aqui desembarca “veio para trabalhar ou veio a passeio?”

Escrito Por: Fernando Brito


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