29/09/2011

Noticiário sobre violência pode influenciar comportamento agressivo, diz especialista


A informação sobre violência ‘jogada’, descontextualizada e hiperdimensionada, pode influenciar e motivar um comportamento agressivo. Essa é a opinião da psicóloga Maria da Graça Gonçalves, do Departamento de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP.

Para ela, o noticiário que não discute a violência, e não apresenta as causas, banaliza as atitudes agressivas. “Com certeza tem uma influência, não podemos dizer que seja direta, mas a mídia fortalece o imaginário da brutalidade. Parece que as formas rudes de enfrentar as situações são legítimas”.

Maria da Graça diz que a mídia deve mostrar a realidade, mas saber como apresentar os fatos, de forma a gerar debate. “Qual é o espaço de contraponto? A audiência não diz tudo o que as pessoas pensam”, critica a psicóloga, que defende um noticiário mais equilibrado, entre os fatos bons e ruins.

O sociólogo Leonardo Sá, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), não acredita que o noticiário sobre violência possa gerar um comportamento agressivo, mas defende que a abordagem da notícia influencia na visão de mundo. “A maneira como a imprensa aborda influencia como a pessoa vai perceber a sociedade, é uma influência sobre o modo de ver”.

Polícia, a única fonte
Por outro lado, Sá concorda que as notícias são apresentadas de forma descontextualizada e com apenas uma versão.“Nos programas policiais há um erro muito grave: eles reproduzem o discurso da polícia como sendo inquestionável”, aponta.

A socióloga do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, Silvia Ramos, pensa o mesmo. “A cobertura tem melhorado, mas ainda é muito factual. Na nossa pesquisa vimos que quase 70% das matérias têm a polícia como única fonte”, diz Silvia, co-autora do livro Mídia e violência: novas tendências na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil.

 Jornalismo policial mais ameno
O jornalista Marco Antonio Zanfra, autor do “Manual do Repórter de Polícia”, que atuou por 15 anos em reportagem policial, acredita que o noticiário sobre violência têm sido abordado de forma mais leve. “Tirando esses programas policiais, o noticiário está mais ameno e politicamente correto. Antigamente tinha foto de cadáver nas revistas, nos jornais. Hoje está bem mais sutil. Alguns apelam pelo lado emocional, mas a cobertura está mais cuidadosa”, opina.

Para ele, o noticiário atual não influencia um comportamento agressivo, porque a brutalidade tem sido vista em toda parte. “A violência está em todo lugar, e não só na imprensa”, diz.

A jornalista Anabela Paiva, co-autora do livro 'Mídia e violência: novas tendências na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil', ao lado de Silvia, fala em cautela, mas enfatiza que imprensa tem o dever de noticiar casos de violência. “É mais que natural que a imprensa trate disso, porque no Brasil há 50 mil assassinatos por ano”, afirma.

No Twitter, leitores divergem:
O Comunique-se questionou no Twitter: Você acredita que o noticiário sobre violência pode gerar/influenciar um comportamento agressivo? Veja algumas respostas:

@reporterdecrime - reporterdecrime - Ninguém se torna criminoso porque viu um filme ou leu um livro, mas acho que a imprensa deve evitar detalhes que ajudam o crime

@papodebudega - Sandra Monte - só noticiar, não. Mas, a "glamouralização" sim. Tipo, fazer entrevistas e dar destaques a bandidos em horários nobres.

@gal_rj -Gláucia Almeida Reis - A dramatização dessas matérias cria uma sede por notícias de tragédia e sangue no público, além de banalizar a violência.

@lgustavomachado - Luís Gustavo Machado - existem outros estímulos externos mais fortes para gerar violência. A chave certamente está na educação (primeiro em casa)

@DeputadoFederal -Paulo Pimenta - eu concordo que existe uma relação entre sensação de insegurança e falta de segurança. A forma de abordadgem influência ambas

(Publicado no Portal Comunique-se)


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