01/10/2011

A ironia na Cidade de Thor onde a hipocrisia rola solta e chove molhado


Limpando arquivos encontrei uma matéria ‘antiga’, intitulada “A Bíblia da EsquerdaHerbívora”, assinada pelo jornalista Reinaldo Azevedo, veiculada na revista Veja (29/04/2009); me deparei com um discurso ácido sobre o livro “As Veias Abertasda América Latina”. Enquanto lia seu texto, lembrava de algumas teorias da comunicação que conheci na faculdade quando ainda era acadêmico de Publicidade e Propaganda.  

A teoria gramsciana sobre a hegemonia descreve a dialética do dominante e dominado. Resumindo: se existe um dominante, o dominante tenta impor ao dominado sua língua e cultura. Desse modo, se há um dominante existe um dominado. Se trouxermos Gramsci para os campos da História, Economia e Sociologia, temos a figura do diretor executivo (outrora patrão) e dos colaboradores (outrora operário). Sabemos que mesmo com a política de participação nos lucros, colaboradores não ganham o mesmo que o CEO.

Ora, “elementar meu caro Watson”, se boa parte da renda é concentrada de um lado por poucos indivíduos, sobra uma menor parte para uma grande população dividir.


Dessa forma, a constatação pasma e sarcástica de Azevedo de que a existência de ricos se deve a existência de pobres se torna verdade.

Fechar os olhos para a realidade, não é ser cult. É hipocrisia.

Além disso, Joseph Nye Jr em “O Paradoxo do Poder Americano”, classifica as formas de “influência” de um país sobre outro em hard power (intervenções militares, sanções, etc.) e soft power (bens de exportação cultural, etc).

Se abrirmos qualquer livro de história o texto será o mesmo: “América Latina colônia da Europa”. E, sinceramente, o que esses mesmos livros de história romantizam chamando de “Descobrimento” é justamente para “encobrir” massacres cometidos pelos colonizadores que, com chumbo, pólvora e vírus, combatiam lanças e flechas. Só isso já denota intervenção militar.

E, afinal de contas, para onde foi a prata do Potosí, senão para a Europa? Como o ponto de ebulição da prata é 2162 ºC, ela não evaporou.

Para meu espanto, o jornalista cita, e condena com veemente abominação, o fato de Hugo Chávez ter dado uma cópia de “As Veias Abertas da América Latina” para o presidente Barack Obama. A comparação similar seria a de Hitler entregar uma cópia de “Minha Luta” para o Papa.

O que há de errado em Chávez ter presenteado Obama com um exemplar deste livro?

Quando divinizamos presidentes norte-americanos, é nesse momento que nos colocamos como oprimidos que necessitam de ajuda, justamente, aquele tipo de pensamento que Reinaldo Azevedo condena em seu texto.

Rotular isso ou aquilo de comunista, socialista, capitalista é retrógrado. E generalizar é o atalho tomado por aquele que tem o pensamento acomodado.

A ironia é algo muito interessante:

Em minha biblioteca particular existe um exemplar muito peculiar de “As Veias Abertas da América Latina”, mais precisamente da 11ª Edição, que em sua contracapa, em meio a declarações do Jornal O Globo, Folha de Londrina, Folhetim, Science & Society Magazine (USA), Expresso (Peru) e Deutsche Bolkszeitung (Alemanha), consta o seguinte:

“AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA propõe um rigoroso inventário da história de um continente que deu ouro e prata, açúcar e diamantes, café, minerais estratégicos e vidas humanas aos colonizadores de plantão, recebendo em troca pouco mais que um subdesenvolvimento crônico e controlado”.

Jorge Escosteguy (Veja)
               

 “Hoje a gente já nem sabe/De que lado estão certos cabeludos/Tipo estereotipado/Se é da direita ou da traseira/Não se sabe mais lá de que lado” (As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor) 


Anotação na Margem:

- Só pra não passar em branco, a ‘esquerda herbívora’ está tranformando o Brasil e a América Latina. Ganha honoris causa e premiações internacionais. Inácio da Silva foi e ainda é o cara. E Dilma? Posso dizer que está sendo ótimo ter uma mãe, uma avó e uma mulher de fibra e história governando para o povo.

Aos invejosos, resta fazer beicinho.

Diego Pignones
Publicitário e pesquisador em Comunicação Social.
Twitter: @diegopignones



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