23/10/2011

O real não se pode editar


O real não se pode editar, como fazemos com os discursos e imagens nas mídias. A população, em geral, sabe que o mundo real é horrível, porque o vive cotidianamente. No caminho do trabalho ou dentro de casa, tudo o que as pessoas querem é esquecer o horror do trabalho massivo, da violência diária, dos barulhos excessivos, dos perigos invisíveis, da insalubridade das cidades: tudo o que a lucratividade humana e insana produz e reproduz. Para descansar e sonhar, o povo quer o controle nas mãos (o controle que não possui no mundo real): trocar o canal, aumentar ou diminuir o volume, mas principalmente entregar-se aos sonhos editados do televisor, do computador, do Facebook, do Twitter, do You Tube, do Orkut, dos portais de notícias. Tudo o que os afaste do pensamento, que produza separação sim, porque este mundo unido em desorganização caótica é medonho, cruel, homicida e suicida. Trágico eu? Não irmão e irmã. Trágico é teu olhar fragmentado sobre um mundo de caos, teu emudecimento programado e gritos manipulados, tua falta de compreensão e contexto com o chão que pisa, tua condição desumana de humanidade, tua falta de respeito por ser incapaz de olhar que existe alguém ao teu lado, diferente de você. Ou igual?



0 comentários:

DEIXE SEU COMENTÁRIO. SUA VOZ É IMPORTANTE.