04/11/2011

O que não sai nos jornais - a culpa é dos gregos?


Trecho do artigo de Luciano Martins Costa

Quem acompanha os movimentos de protesto através das redes sociais tem acesso a muitos documentos que circulam entre as centenas de milhares de manifestantes e os milhões de cidadãos em todo o mundo que os apoiam. Alguns desses textos, como o artigo da ativista política americana Naomi Wolf, publicado na sexta-feira (4) pelo Estado de S.Paulo, são muito esclarecedores.

Uma das porta-vozes do “Ocupe Wall Street”, Naomi Wolf acusa os políticos americanos de se haverem desviado da democracia e afirma que as grandes doações de bancos – como o JP Morgan – a entidades policiais dos Estados Unidos têm estimulado as forças de segurança a aumentar a repressão contra os manifestantes.

A afirmação de que os protestos contra o sistema financeiro global são genéricos demais para serem definidos em material jornalístico não tem fundamento. Na organização das manifestações há cientistas de várias especialidades, escritores e jornalistas habituados a análises complexas da economia e da política. Eles fazem circular resumos de pesquisas sobre o estado do mundo que não se encontram nas páginas dos jornais. 

Entre os documentos que circulam nas redes sociais destaca-se um estudo dos matemáticos James Glattfelder, Stefano Battiston e Stefania Vitali, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos (ver aqui o original em inglês e aqui a referência em português), demonstrando que a economia global é dominada por um grupo restrito de corporações – exatamente 147 companhias intimamente relacionadas, a maioria bancos – que controlam 40% de uma rede de 1.318 outras empresas. 

Essa rede detém a maioria das ações das principais companhias do mundo, responsáveis por 60% das vendas na economia real de todo o mercado global. 

Trata-se da primeira investigação sobre a arquitetura da rede internacional de donos do poder econômico, com a análise computacional da parcela de poder de cada um desses controladores. O estudo mostra como a estrutura do chamado “mercado” afeta a competição global, provoca instabilidades e transforma governos em reféns. 

Evidentemente, esse quadro não está nem estará presente nas páginas da imprensa tradicional. Para os jornais, a culpa é dos gregos.


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