10/11/2011

Sobre a USP - Eu fiquei indignado

Carta de meu amigo Alexandre Braz, estudante de jornalismo e colaborador do Fazendo Media


Em todos os lados tenho lido e visto as repercussões das manifestações dos estudantes da USP. Entrei na faculdade com 27 anos. Já estava fora de casa há dez e sendo responsável por mim desde esta época. Já era adulto demais e nunca consegui me envolver com este “ideal” universitário. Não sei, mas não me vejo aliado a estas coisas. Principalmente, porque olho para o meu estado, Minas Gerais, o Rio de Janeiro, onde moro, o Brasil, o mundo e vejo necessidades sérias e reais demais para perdermos tempo com umas discussões que considero banais. Respeito todos os pensamentos. Entretanto, estas coisas já deveriam fazer parte da consciência de cada um de nós, jovens, velhos, universitários ou não. 


Se saio na rua, vejo problemas demais. Gente sofrendo, com dor, fome. Sem hospital, sem remédio, sem casa, sem direitos. Os médicos que se formam nas nossas universidades públicas, por exemplo, se negam, neste maldito sistema capitalista, a atender os nossos cidadãos que necessitam de atendimento em nossos hospitais. O transporte é uma merda. As pessoas estão sufocadas, estressadas, jogando no mínimo três horas diárias de suas vidas fora, dentro de um trem, de um ônibus, do metrô, etc.

Formular teorias dentro de uma universidade ou em estúdio de TV com terno, gravata e ar condicionado é fácil, eu quero ver é colocar isso em prática no dia a dia. Ser solidário de verdade, além das palavras. Abrir mão do que é seu e que você não precisa, em nome de um “desconhecido”. Quero ver as pessoas, os cristãos (que enaltecem o amor de Jesus, sem sequer entender o que foi e o que é o amor de Cristo), os universitários, os teóricos que tecem conceitos sobre a realidade diariamente, abrirem mão de suas mordomias, de seus privilégios, de suas mamatas, de seus egoísmos. Abrir mão das riquezas, do excesso, dos bens materiais, em nome de um mundo mais igual e justo.

Quero um mundo em que os de direita e os de esquerda se respeitem e não fiquem brigando por ideologia que não se concretiza na prática. Temos pobres, miseráveis demais. Na África, de onde vieram os meus antepassados, milhões estão morrendo nos campos de refugiados, de fome, de sede, nas guerras. Então, não sei se sou ultrapassado, velho demais para o meu tempo, mas não sou solidário a estas pessoas. Não quero endeusar “revolução digital”, não quero carro, não quero fortuna. Quero que as pessoas tenham comida, saúde e educação.

Os protestos e as manifestações têm de ser livres, a democracia deve ser defendida, os militares não podem ter "a força". Os estudantes devem ser respeitados; devem sim, se engajar, mas que as causas sejam de verdade, sérias e reais. O mundo e principalmente as pessoas precisam demais.

Como disse hoje por e-mail o amigo Eduardo Marinho, do blog Observar e Absorver , que é um artista na acepção da palavra, “a ditadura ‘militar’ se transformou em ditadura econômica, midiática e ideológica, criando essa fachada democrática”. Qualquer um tem o direito neste sistema dito democrático de expressar o seu pensamento, estou expondo o meu. Por isso eu estou indignado.

Aos jovens que querem fazer barulho, que querem ser transgressores dessa realidade que hoje está posta, vejo que existem motivos e causas de sobra. Mas num mundo em que as criações de Steve Jobs são tidas como revolucionárias, alguma coisa está fora do lugar. Na verdade muitas coisas.

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3 comentários:

  1. Perfeito...Descreve o msm q venho sentindo há tempos!!

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  2. a mídia faz o agenda setting e a manada vai atrás.

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  3. Somos todos uma grande família e não nos demos conta. Vamo trabaiano.

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