01/12/2011

Cinco ideias sobre o futuro dos livros e da escrita


Eric McLuhan

Publicado em MUNDO LIVRO
O time reunido na Sala dos Jacarandás era, como disse o mediador Juremir Machado da Silva, tão bom quanto o do Internacional vencedor do Mundial. Reunidos, Eric McLuhan, Federico Casalegno, William Uricchio , Georges Bertin e Jean-Bruno Renard tomaram para si a difícil tarefa de atualizar a célebre frase de outro McLuhan, Marshall, que afirmava que "o meio é a mensagem". Será que o meio ainda é a mensagem? A pergunta não foi respondida, mas o time de acadêmicos deixou clara uma série de pressupostos que, se não respondem à pergunta, pelo menos encaminham uma resposta.
1) Não lemos com a mesma atenção de antes
A afirmação vem de McLuhan:
- Trabalho com um público de 25, 30, 35 anos. Eles não são mais jovens em idade universitária - tratando aqui a universidade como algo ainda extraordinário -, eles são pessoas ordinárias. E o que se vê é que eles sabem ler. Eles só não querem.

Se, em 1960, a velocidade média de leitura do americano era de 400 palavras por minuto, atualmente, esta média diminuiu para 300 palavras. Ou menos, diz McLuhan, afirmando que muitos de seus estudantes, durante a leitura silenciosa, leem mais lentamente do que em voz alta:
-  Em voz alta, lemos cerca de 180 palavras por minuto. Eles leem mais devagar do que falam.
O clímax da atenção é quando se é tão absorvido por uma leitura que um "pequeno filme" se forma em nossa mente:
- Sem filmezinho... sem atenção - diverte-se McLuhan, mesmo que, como ele mesmo fala, trate-se de um assunto muito triste.
2) O copyright acabou
Bertin é cético ao afirmar que "a internet é o lar da falsidade":
- Qualquer um pode reproduzir conteúdo e dizer que é seu. A internet faz crescer a figura do autor, em detrimento do texto.
E encontra eco em McLuhan:
- O copyright é uma coisa boa, mas acabou.
O teórico propõe ao público o que ele julga ser o futuro (avisando, antes, que obviamente pode estar mortalmente enganado): fazer do público o mecenas. O que tem nome, o crowdsourcing.
- Senão, de onde vem sua renda? - ri McLuhan.
3) A estrutura formal do romance é passado
Foi-se o tempo em que líamos capítulos de 50, 60 páginas. A narrativa moderna, de acordo com McLuhan, tem seus próprios métodos:
- Há um autor chamado James Patterson que escreve capítulos de três páginas. Ou seja, se você leu 300 páginas, é de se esperar que esteja no centésimo capítulo.
Isso corrobora com a questão da nossa capacidade de prestar atenção. A tendência, diz McLuhan, é de que o livro de mesa se torne cada vez mais popular. Ou seja, o livro cada vez mais como um objeto de arte, e não um meio tão focado, surpreendentemente, à leitura.
4) Estamos escrevendo mais
Bertin, Casalegno e Renard apontam as redes sociais como "uma batalha ganha para a escrita". Há tanto um aumento da produção individual de conteúdo quanto uma maior consciência das especificidades da palavra escrita, da palavra falada e das imagens, afirma Uricchio.
Casalegno faz uma ressalva, no entanto:
- Há uma maior produção de conteúdo, mas com repetição. Copiamos e colamos tanto no Facebook quanto no Twitter, então temos como medir não nossa produção de conteúdo, mas a repercussão do conteúdo que é produzido.
5) Sim, o livro tem uma vida longeva pela frente
Embora os e-readers e o smart paper tenham como promessa democratizar o acesso à literatura, o consenso da mesa é de que o livro sobrevive. O arauto mais exaltado da longevidade do livro em papel é Uricchio, que fala dele como uma tecnologia perfeita:
- Não precisa de luz, não precisa de internet, não fica sem baterias, é reciclável, e o mais importante: o compramos só uma vez.



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