06/12/2011

Ganhar ou perder, mas sempre com democracia


Sócrates nos deixa no mesmo dia em que o Corinthians ganhou o campeonato. Gostaria muito de ter escrito algo sobre o Doutor, mas as palavras não vieram, somente as emoções. Sendo assim, aproveito para publicar o texto de meu amigo Alexandre Braz, que bem escreveu sobre o domingo que passou. Além disso, o post é uma forma de parabenizar, este grande jornalista e amigo.

Domingo triste para o futebol brasileiro

Escrito Por Alexandre Braz

O mundo do futebol ficou mais pobre neste domingo. Um dia de final de Campeonato Brasileiro, um dia que seria de festa, e que de repente se transformou num dia de luto. Morreu, aos 57 anos, em São Paulo, o ex-jogador Sócrates. Internado na noite de sexta-feira, ele não resistiu a uma infecção generalizada e teve a morte confirmada às 4h30.

O Doutor foi realmente um craque de bola, mas mais do que isso foi um grande homem. Um líder dentro e fora dos gramados. Um exemplo de ética e de espírito coletivo.

Não me lembro dele em campo. Não o conheci pessoalmente, mas isso pouco importa. As referências de Sócrates estão aí. Os exemplos, e grandes exemplos, foram dados por ele. Neste momento é impossível para os amantes do futebol não se sentirem tristes, mas a mensagem do Príncipe da Democracia Corintiana foi deixada para todos nós.

Sócrates foi um grande cidadão, político, articulado. Tinha um outro olhar sobre o futebol e sobre o mundo. Escrevia como poucos. Era um prazer ler suas crônicas na Carta Capital ou em qualquer outro veículo. Suas entrevistas eram sempre interessantes e inteligentes. Muitos dizem que ele tinha personalidade forte. Mas para mim, isso não existe. Personalidade ou você tem, ou você não tem. Ele tinha personalidade, e muita. Posicionava-se sem medo. Um futebolista raro como não vê nos dias atuais.

Sócrates tinha nome de filósofo. E foi também um grande pensador. Um contestador nato. Um inimigo do sistema que hoje está aí estabelecido. Crítico ferrenho da CBF e de seu presidente.

Sócrates encantou a todos com sua arte. A arte de jogar futebol. Mas foi muito mais além. Pena que algumas pessoas, nestes momentos difíceis que vinha passando ultimamente, aproveitaram-se para fazer o velho sensacionalismo barato. Mas isso rende muito. E no mundo em que vivemos, o mundo em que o Doutor sempre criticou isso é corriqueiro, “é normal”.

O importante é que enquanto ele esteve aqui ele cumpriu, e muito bem, a sua missão e deu o seu recado. Jogou no Botafogo de Ribeirão Preto. Foi grande ídolo do Corinthians, da Seleção Brasileira. Jogou ainda na Fiorentina, Flamengo e Santos. Não foi campeão do mundo, mas foi genial. Sócrates nos deixou hoje, mas estará para sempre em nossas mentes e em nossos corações.


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