16/01/2012

As celebridades explosivas do Brasil


Você poderia publicar de vez em quando algum diálogo privado, um desses que você tem por e-mail, por exemplo. Pode ser interessante e quem sabe, poético. Como aquelas publicações de cartas antigas trocadas entre personalidades. E isso é o que faço logo abaixo (sem que eu seja uma personalidade). A sugestão da publicação foi de meu amigo Emerson, aquele da coluna S I T T A e com quem tive o diálogo. O resto? É por sua conta e risco. Leia:


Emerson Sitta: Esse seu blog está numa velocidade incrível.
Boa, amigo.
Parabéns pelas atividades.
Mas, ontem eu estava perdido entre alguns canais de TV, eu gosto às vezes de ficar sem noção, sem pretensão, sem intenção, assistindo TV, distrai minha mente perturbada. Enfim, encontrei um programinha chamado Tempos de Escola, coisa do tipo, apresentado pelo Serginho Groisman, o cara do Altas horas, vida inteligente na madrugada, muita pretensão isso. Mas, bom, a ideia do programa é louvável, chamam um artista e falam sobre o tempo que ele viveu na escola, no caso de ontem, era o Lobão a figura em destaque. O que me chamou a atenção foi o discurso do Lobo, criticou indiretamente uma séria de personalidades da nossa vida, como Chico, Caetano, a poesia concreta e etc. Disse que tudo merece contestação, soou para mim como uma manifestação de inveja, falta de cálculo sobre o tempo e a representação desses movimentos, e o Lobão se configurou como um cara super inteligente, disse que não precisava da escola, não se importou com a ditadura, por exemplo, uma figura de burguês, carioca da gema, intelectual de escrivaninha e um agente, hoje, indispensável para os programas de TV por ser causador de polêmicas. Imediatamente me lembrei de você, pois o Lobo se projetava como contestador, indecifrável, sujeito independente de políticas e etc. Mas para mim um novo Caetano do momento, ou não? Um bobo que nem parece alegre, o que há no lobo que há em você? Assiste ao programa e manda uma crítica sobre essas merdas todas que ele falou ou não, esquece tudo e pronto...
é isso... papo de final de tarde, mais nada...
valeu
Emerson Sitta

M.A.D. (o Sr Comunica): Obrigado pelo blog, mas sinceramente acho que ele tem menos projeção do que teria num país mais intelectual, mais pensamento.
Enfim, não entendi se você me comparou ao Lobão ou o Caetano ao Lobão. Sobre todo o resto, conheço o programa embora não tenha assistido isso. A importância do Serginho Groisman ficou perdida em algum lugar da década de 90. O Caetano é aquilo, uma coisa que hoje defende a direita, enfiando todo seu passado no rabo. A sorte dele é que o passado, embora se dilua, não se apaga.
O Lobão é algo que vai um pouco além do Caetano. Acompanhei Lobão desde a década de 80 e tudo o que consigo ver são Lobões, muitos, dezenas mesmo, que nunca se encontram no mesmo corpo. Não sei se é efeito das drogas, abstinência ou retardamento mental mesmo. Ele solta bobagens imensas numa velocidade inacreditável. Mas vendo outras pessoas falarem sobre o Lobão, que conviveram com ele, vejo que ele, desde o tempo em que foi baterista da Blitz, sempre foi um oportunista e marketeiro nato. O que mantém o Lobão aceso até hoje é o fato de ser capaz de fomentar polêmicas. Nesse aspecto, para a cultura nacional, ele tem o mesmo peso de um Bolsonaro ou Pastor Malafaia. Fomentam polêmicas, não falam nada com nada e não contribuem culturalmente com porra nenhuma, a não ser com esse estilo "big brother brasil" de se relacionar com as pessoas - não importa o que você pense ou o que você produza, mas sim o impacto que você causa, como um explosivo mesmo. Vivemos no mundo das explosões, das guerras dadaístas que matam milhões de pessoas, do jornalismo sensacionalista, de tudo o que é explosivo e vazio.
Sabe como se faz um explosivo? Basta juntar muita pólvora em um recipiente, socá-la e atear fogo. Simbolicamente, o que os Lobões fazem é socar mais do mesmo argumento e atear fogo. Só isso. Abraços.




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