30/01/2012

A brasileira Vale foi eleita a pior corporação do mundo


No Fórum Social Temático (FST), em Porto Alegre, organizações se reuniram para explicar por quais motivos a mineradora saiu vitoriosa do “Oscar da vergonha”.

Publicado na Agência Pulsar

O troféu do Public Eye Awards, que premia corporações que se destacam por violarem os direitos humanos e cometerem crimes ambientais, foi entregue hoje (27) durante Fórum Mundial Econômico, de Davos.

A votação pela internet durou 21 dias e a Vale, que detém projetos em 38 países, foi considerada a pior do mundo por 25 mil e 41 pessoas. Brent Mikan, da International Rivers, destacou que o resultado reflete a mobilização das populações diretamente afetadas.

Para o padre Dário Borssi, a participação da Vale com 9% no Consórcio Norte Energia, que constrói a usina de Belo Monte, foi determinante na votação. O impacto da mineração na saúde das populações também é visto como fator pelo religioso, que afirma que 59% dos moradores ao longo da ferrovia de Carajás, operada pela Vale, sofrem com febres constantes.

Alexandre Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou que a ação da Vale propicia a exploração de mão de obra escrava. Além disso, ressaltou que a contaminação da terra e da água pela mineração coloca a produção agrícola em risco.

Já Lúcia Ortiz, da Amigos da Terra, acrescentou que a crise não suportará “falsas compensações climáticas” defendidas por empresas como a Vale. A ativista explica que estes instrumentos escondem os verdadeiros objetivos da Rio+20 : a especulação dos recursos naturais no mercado financeiro.

Concorreram com a Vale ao prêmio de pior do mundo, organizado pelo Greenpeace e pela Declaração de Berna, as empresas Barclays, Freeport, Samsung, Syngenta e a Tepco, que ficou em segundo lugar por causa do desastre de Fukushima, no Japão.


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