24/01/2012

Depois de um dia massacrando no Pinheirinho, o que um policial poderá falar para seu filho?

Então, policial,
quando à noite você chegar em casa
e seu filho lhe perguntar por onde
você esteve nesse domingo, 22 de janeiro,
o que você vai dizer a ele?

Será que você vai ter a coragem
de dizer ao seu filho o que realmente você fez nesse domingo,
22 de janeiro, aqui no Pinheirinho
e também no Campo dos Alemães?

Duvido que lhe diga
que nesse domingo você entrou pelas vielas desse bairro miserável
distribuindo balas de borrachas para todo lado,
atirando bomba de gás lacrimogêneo
em todo e qualquer morador,
usando spray pimenta até para cegar olhos
de crianças tão inocentes quanto seu filho!
Ah isso tenho certeza, você não dirá!!

Não, você não vai dizer a ele
que ao entrar num barraco miserável
logo sacou da arma, a encostou na cara de um pai de família
e o chamou de vagabundo na frente dos filhos
exigindo que, rapidamente, ele e sua família
deixassem aquela rústica casa
construída com tanto sonho e sacrifício
e fosse morar na rua, em qualquer lugar,
menos ali.

Não, você não vai falar
de seu helicóptero voando o dia inteiro
sobre uma só região, brincando de guerrinha do Vietnã
e atirando spray pimenta sobre quem resistisse
a sair do Pinheirinho.

Você não vai ter coragem de falar ao filho
sobre o idoso fragilizado que agora dorme na rua
pois você, tão obediente e serviçal,
em nome dos interesses de gente poderosa,
o colocou fora de sua casa
e o ajudou a ter piora na saúde
e certamente encurtar seus dias.

Tem tanta coisa, policial, que você não vai poder
dizer para o seu filho.
Para tantas outras, você terá de arrumar um jeito de esconder da consciência
sempre atormentada de quem participa de massacres
e humilha indefesos.

E da bomba de gás lacrimogêneo
que você atirou num alojamento, sufocando
crianças da mesma forma que fazemos em nossa casa
com pernilongos e mosquitos quando os matamos?

Que pena, policial,
que você tenha que arrumar
mais outra mentira para contar a seu filho
só para preservar uma imagem que para nós
trabalhadores não é a imagem ideal da policia,

que ao invés de criar segurança cria insegurança, põe medo e faz terror
e faz também quantas mortes pedirem a frieza de seu comando
e a sempre insatisfeita vontade
dos poderosos que mandam em tudo,
inclusive em juízes, promotores, governadores...

(Silvio Prado, Diretor da Apeoesp)


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