05/01/2012

O feudalismo midiático-partidário, a Culocracia* e os passarinhos



Escrito por Diego Pignones
A prova que governaram o Brasil com a bunda nos anos 90, vem à tona com o lançamento de “A Privataria Tucana”. Glauber irá se revirar no jazigo com meu trocadilho infame, mas com uma ideia na cabeça e a mídia na mão, eles fizeram uma liquidação do Brasil.

Nunca os EE.UU se refestelaram tanto em terras verde-amarelas.

Enquanto anestesiavam o grande público com o drama da ararinha-azul, futebol, novela e ‘xou da vida’, outros passarinhos vendiam o país. Os gringos pediam, os tucanos davam.


Foram oito anos de governo subserviente. Vassalo. Inclusive por sentir falta dos rituais de suserania e vassalagem volta o “mito do bom gringo” ou do “bom colonizador”.

Ora, o que raios o Obama tinha a dizer aos brasileiros que iria transformar a realidade de nosso país? Não adianta esconder a verdade, muito menos fazer biquinho, Barack Obama está chupando os programas brasileiros para salvar sua aldeia.

Não somos vassalos. Não somos mais colônia de exploração. Não somos mais quintal. Não somos bovinos.

Porém, depois de oito anos de culocracia e feudalismo midiático-partidário, o amargor e o beicinho ainda tentam ditar as regras através da mídia nos últimos oito anos de retomada de governo com a cabeça. Deram um sumiço no “Privataria”, tal qual ocorreu com os desaparecidos políticos da ditadura. Colocam políticos no paredão a despeito de “códigos éticos de auto-regulação jornalística da firma” sem divulgar a conclusão dos casos, quando estas não lhe agradam. Batemos a economia da Inglaterra, com a rainha e libra-esterlina e tudo. Mas o amargor, nega a verdade.

Quando se fala em Ley de Medios e democratização da mídia, esperneiam, berram e se escabelam como uma criança desobediente na boca do caixa do mercado porque quer encher a barriga de doces antes do almoço.

A criança berra a plenos pulmões:

- “Atentado contra a liberdade de expressão!”

- “Atentado contra a liberdade de imprensa!”

- “Ditadura!”

Só os pais sabem realmente o que o filho quer dizer, neste caso é:

- “Quero falar sem provar nada, sem checar a informação, não quero sofrer uma punição condizente com a gravidade de meus atos! Isso só vale para pobre!”

- “Estão atentando contra a liberdade de empresa! Minha empresa pode dizer o que bem entender porque tem dinheiro e advogados caros!”

- “Mi fu! Mi fu! Mi fu! Como isso vem da Argentina vou bater na Cristina!”

Ou seja, caberia ao povo, gado, massa de manobra, retornar ao seu papel bovino e ser anestesiado sem reagir. Reproduzir a informação sem filtros. E beijar o anel do Papa, do Cardeal, do Arcebispo, do Bispo, do Padre e do raio que o parta.

Mas, o povo está se ligando na internet.

Contudo, tentar conter o imediatismo da internet, dos blogs e das redes sociais é como a pelea contra los molinos de viento de Dom Quixote.

Ou pode ser um último devaneio megalomaníaco do ditador em queda.

Falando em megalomania dos ditadores, os feudos midiáticos-partidários criticam ferozmente Cuba, China e Coréia do Norte, mas a solução perfeita para manter a hegemonia da mídia limpinha é a defesa velada para a censura da internet. Justamente a tática daqueles a quem chamam de “ditadores-ateus-comunistas-totalitários-comedores de criancinhas”.

Mais coerência pessoal.

Afinal, quem está defendendo censura de informação?

Quem está ao lado do povo?

Nos oito anos de culocracia tucana, por que nada foi apurado? Por que nada foi denunciado? E por que ninguém foi punido?

Por que só agora os apontados pelo livro de Amaury Ribeiro Jr gritam com a boca no travesseiro, ameaçam de processo, mas não efetivam uma ação judicial?

Se a mídia boazinha sabia de tudo isso antes, por que nunca estampou nada?

Muitas perguntas, poucas respostas. 

Mas se você quer saber o que é culocracia, talvez seja a única resposta formal neste texto.

Culocracia*: forma de governo pseudo-democrático onde se vende até a mãe em leasing e se governa com a bunda com total subserviência vassala e o lema é “tudo que tem a marca das estrelas e listras é melhor”.


Anotação na Margem:

Breve divagação de um diálogo que eu gostaria de ver na bancada de um certo telejornal:

Âncora 1:
- “Que barbaridade, o Irã vai fechar o Estreito de Ormuz. Vai bloquear a rota do petróleo mundial!”
Âncora 2:
-“O troço não é deles?”
Âncora 1:
- “É.”
Âncora 2:
- “Se é deles, eles decidem se abrem ou se fecham, né?”
Âncora 1:
- “Sim, mas é absurdo.”
Âncora 2:
- “Por quê? Por acaso o Estreito de Ormuz é teu?”
Âncora 1:
- “Não! É deles.”
Âncora 2:
- “A porra do Estreito é do Obama?”
Âncora 1:
- Não! É deles.”
Âncora 2:
- “Então, se é deles e é um problema deles, para de te aporrinhar as ideias e encher o saco. Não é problema nosso, nem de ninguém. A não ser do Irã! Deixa os caras, meu!”

- Texto escrito ao som de Los Calzones.

Diego Pignones
Publicitário e pesquisador em Comunicação Social.
Twitter: @diegopignones
  



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