04/01/2012

País tem juro mais alto do mundo no cartão


PROTESTE comparou seis países e constatou que mesmo que a taxa fosse a metade da atual superaria o dobro da segunda colocado entre os pesquisados.

O brasileiro que recorre ao financiamento por meio do cartão de crédito, o chamado rotativo, está submetido a maior taxa real de juros do mundo (237,9%). A PROTESTE Associação de Consumidores comparou a taxa média de juros cobrada nas operações com cartão de crédito com o de outros seis países (Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Venezuela e México), e comprovou o exagero das taxas.
Mesmo que a taxa fosse a metade do que é praticado pelo mercado brasileiro ainda seria maior que o dobro da segunda colocado entre os países pesquisados. Os juros que são cobrados nas modalidades do crédito rotativo são uma das causas do endividamento dos brasileiros.

Taxas  Anuais (em %)
PAÍS
TAXA BÁSICA
INFLAÇÃO
TAXA REAL
TAXA DO CARTÃO DE CRÉDITO
BRASIL
11,0
6,5 (*)
4,23
237,9
ARGENTINA
12,5
9,7
2,55
50,0
CHILE
5,3
3,7
1,49
40,7
COLÔMIBIA
4,8
4,0
0,77
28,5
PERU
4,3
3,0
1,21
40,0
VENEZUELA
24,0
28,0
-3,13
29,0
MÉXICO
4,5
3,2
1,26
36,2
Fonte: Banco Central do Brasil e pesquisa pela internet . (*) Taxa estimada para 2011.


Os cartões de crédito têm sido o maior fator de endividamento dos consumidores porque as taxas cobradas no rotativo se tornam impagáveis. E ainda assim o rotativo cresceu 22%em 2011. Para a PROTESTE este quadro é preocupante porque atinge principalmente os consumidores que entraram recentemente no mercado de consumo, pessoas de baixa renda e entre eles aposentados e pensionistas.
As condições econômicas dos países pesquisados, quando confrontadas com a do Brasil, mostram claramente que a taxa média dos juros praticados no Brasil realmente é exagerada; caso fosse a metade, ou seja, de 119% ao ano (equivalente a 6,75% ao mês) ainda seria maior que o dobro da segunda colocada.
Parte da culpa desse processo de endividamento cabe às instituições financeiras. Além das taxas exageradas, o processo de concessão de crédito é falho e leva as famílias a contraírem vários financiamentos cujo valor das prestações chega a superar a própria renda mensal.
O modelo de cartão implantado no País na década de 70 se diferencia de outros países: ele não distingue quem paga o total da fatura de quem financia, recorrendo ao rotativo, o que leva a diluição do custo por todos os clientes, incluindo a taxa de inadimplência.
Entre os inadimplentes no País, 64,1% têm dívidas com cartão de crédito, segundo pesquisa divulgada dia 19 de dezembro pela Boa Vista, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). E 15,3% tem dívida em cartão de loja. O estudo mostrou ainda que os endividados têm em média 2,4 contas em atraso.
O último estudo de cartão feito pela PROTESTE constatou que não pagar o valor total da fatura pode transformar uma dívida de R$1 mil após um ano, em R$ 7 mil no caso de um cartão Hipercard, que cobra mais de 600% de juros no rotativo.



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