17/01/2012

“A privataria tucana” por Guilherme Scalzilli

Escrito e publicado por Guilherme Scalzilli
A leitura é envolvente, menos confusa do que sugere o novelo de tramóias financeiras, empresas e personagens. Lamento apenas que o autor às vezes escorregue por um estilo informal demais, recorrendo a gírias e exclamações que o afastam da sisuda reportagem que o tema exigia. Repetições ociosas e alguns erros vocabulares poderiam também ser corrigidos em edições futuras.

A documentação apresentada é sólida. Há lacunas, mas elas são daquele tipo que nunca seria preenchido por uma investigação realizada sem o aporte de instituições policiais e judiciárias (talvez nem assim). A maioria das ilações, porém, corresponde a um primário bom-senso e resultam críveis, para não dizer óbvias.

É ridículo minimizá-las com a alegação de serem “requentadas” ou inconclusas. As coincidências entre a dilapidação do patrimônio estatal brasileiro e os valores exorbitantes movimentados por empresas de gente ligada ao processo deveriam suscitar avassaladoras mobilizações da imprensa, do Ministério Público e do Congresso Nacional. Apenas as atividades conhecidas e registradas da filha, do genro, do primo e de amigos próximos de José Serra bastam para enterrar sua carreira política e sujeitá-lo a uma devassa implacável.

Tudo isso aconteceria se o caso envolvesse uma liderança petista. Coisa muito pior ocorreu, até com inocentes, nos afamados escândalos dos governos Lula e Dilma. Amaury Ribeiro Jr realizou o mínimo que se espera de um jornalista responsável: ele apenas compilou informações que, embora sempre estivessem disponíveis, foram solenemente ignoradas pela grande imprensa. Agora basta que as autoridades sigam os elos e busquem respostas às muitas indagações levantadas.





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