Jornalista é assassinado no interior do Rio de Janeiro

Por Priscila Fonseca para o C-SE O jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, chefe de reportagem do Vassouras na Net , especializ...



O jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, chefe de reportagem do Vassouras na Net, especializado em política, foi morto na madrugada desta quinta-feira, 9, em Barra do Piraí , interior do Rio de Janeiro, junto com a sua noiva, que não teve o nome divulgado.

jornalista_-_morto_-_rdioOs dois foram rendidos na casa da noiva dele e levados para uma estrada no bairro de Coimbra, cada um foi atingido com um tiro na cabeça. O crime foi registrado na 88ª DP da Barra do Piraí, no entanto, mais detalhes do ocorrido (suspeitos e motivo do assassinato), não foram divulgados pela polícia.

Segundo informações do Diário do Vale, o profissional já tinha sofrido uma tentativa de assalto, dentro da sua própria na casa, no ano passado. Na ocasião, Lopes (foto) chegou a ser baleado e ficou internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Universitário, no Rio de Janeiro.

Outra reportagem sobre o assassinato, publicada no Diário do Vale, em 09/02/2012

O jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, e a companheira dele, Maria Aparecida Guimarães, foram assassinados na madrugada de hoje (9), por volta de 1h30, em Barra do Piraí. Eles teriam sido rendidos na casa da mulher, no Centro, e levados até a localidade conhecida como Estrada das Rosas, no bairro Minuano, onde foram executados. Cada uma das vítimas foi atingida com um tiro a queima roupa no ouvido.

O duplo homicídio foi registrado na 88ª DP (Barra do Piraí), mas ainda não há informações sobre suspeitos e as circunstâncias do crime. A polícia não conseguiu testemunhas do crime. A PM foi acionada ao local através de uma denuncia anônima que informava que uma mulher estaria caída as margens da BR 393. Ao chegar no local, os policiais encontraram o casal que só foi identificado na manhã de hoje. Segundo policiais militares do 10º Batalhão, a mulher era magra, branca, vestia calça jeans, blusa estampada e sandália. Já o jornalista estava vestindo calça jeans, blusa estampada e botas.

De acordo com informações da polícia, o crime é de difícil investigação já que o jornalista possuía muitos inimigos, e todos os seus conflitos foram estabelecidos na cidade de Valença - onde trabalhava. No site que administrava (www.vassourasnanet.net), o jornalista publicava matérias polêmicas e denunciava supostas irregularidades envolvendo órgãos, autoridades e políticos.
Maria Aparecida era companheira do jornalista
Vítima: Maria Aparecida era companheira do jornalista
Mário Randolfo era de Vassouras, onde trabalhava como chefe de reportagem de um site jornalístico. Em julho do ano passado, o jornalista já havia sido baleado com cinco tiros, dentro da própria casa, supostamente após ter reagido a uma tentativa de assalto. Na época, Mário chegou a ficar internado no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do Hospital Universitário. Em outra ocasião, Mário também teria sido vítima de uma tentativa de atropelamento quando pilotava uma moto. Ele estaria morando em Barra do Piraí há cerca de dois meses.

Abaixo publico texto e vídeo feito por Mário Randolfo e publicado no Youtube em 07/08/2011

Prezados internautas,

por determinação da 2ª Vara Criminal, a matéria intitulada "Jornalista baleado em atentado Ressuscita no 3º dia" ficará fora do ar até o julgamento do mérito do processo 0002490-09.2011.8.19.0065, movido pela minha ex-secretária Ana Cláudia da Costa Oliveira. Gostaria de lhes pedir um pouco de compreensão e um voto de confiança à justiça, pois a juíza Anna Christina da Silveira Fernandes agiu com total lisura e discernimento, dentro dos moldes da lei. E por conhecer o poder de propagação da rede do Vassouras na Net, sabendo que em poucas horas a opinião pública estará massacrando a justiça, tomei esta iniciativa. Pois o momento não é para divergências e sim para a união de forças, para enjaular os milicianos que realizam por dinheiro e por diversão caçadas humanas na cidade. Se bem que no meu modo de ver, assassinos profissionais que representam uma ameaça para a espécie humana, devessem ser enforcados em praça pública.

A reportagem em questão foi publicada para registrar fatos importantes da mecânica do crime e evitar que eu sofresse um novo atentado, que poderia dessa vez ser fatal. E meu caixão não fosse rotulado com LATROCÍNIO. O que significaria mera fatalidade de eu estar na hora e no lugar errado e ter reagido ao assalto. Com isso, a indústria da pistolagem e os escandalosos desvios de verbas públicas permaneceriam nas sombras, longe dos holofotes.

Para um idealista guerreiro, morrer por uma causa, sabendo que haverá uma rigorosa investigação e providências que trarão mudanças significativas no combate a injustiça social, é mais do que uma honra. Mas ser enterrado dentro de um ritual de mentiras, de maneira torpe e banal, é uma desonra.

A matéria que por ora retiro do ar, foi feita com muita análise e um estudo detalhado do local e das circunstâncias do crime, embora o meu estado emocional já passasse do vermelho. Ela foi feita visando o futuro e com os pés nele, e a justiça ainda está no presente e vai demorar um pouco para chegar lá. Mas podem confiar que vai chegar.

Só eu sei o que passei e sei o que é morrer executado com vários tiros, dentro de uma covardia traiçoeira. E ninguém sabe o que é se esvair em sangue gritando pelo socorro de alguém que estava presente, mas quase pisou no cadáver e foi embora. Uma imagem traumática, sombria, daquela bolsa vermelha passando quase sobre o meu nariz e aquele vulto que eu achava que conhecia como a mais notável criatura. Não foi fácil nadar no próprio sangue e sentir que o ar estava acabando e a minha vida chegando ao fim.

Naquele momento, uma força misteriosa me agarrou pela cintura e me colocou de pé. Em seguida, me ajudou a dar alguns passos até a mesa onde estava a minha filmadora. Minha idéia era filmar a minha própria morte e relatar detalhes que esclarecessem o crime, evitando assim o assassinato de outros inocentes. Mas a máquina estava sem as baterias. Dali, a mesma força me arrastou para a varanda e pedi socorro aos funcionários da Policlínica. Depois desabei no chão, e sem reclamar, acompanhei a morte. Acordei três dias depois na UTI do Hospital Universitário. E ao abrir os olhos e me deparar com uma enfermeira me examinando com o olhar, como se eu fosse de outro mundo, perguntei-a como ela podia me ver e conversar com quem está morto.

Ao sair do hospital, passei a receber toda espécie de ameaças de morte, por telefone, pela internet e até mesmo recados, prometendo invadir meu esconderijo e me matar a facadas e com um tiro de escopeta no rosto. E para evitar que meu novo assassinato fosse novamente tipificado de latrocínio e tudo terminasse numa formidável pizza, exigi o máximo do meu péssimo estado de saúde e com muita dificuldade preparei a matéria e consegui colocá-la no ar. No período crucial, quem fez 24 horas por dia a minha segurança no HU foi a 4ª Companhia da Polícia Militar de Vassouras, mas é vergonhoso saber que o Estado deixou-me largado feito uma folha ao vento, sem tomar uma providência para resguardar a vida de um sobrevivente de um atentado. Até porque milícia e atentado demonstram um sistema enferrujado, que joga na lata do lixo os impostos que pagamos para ter segurança pública e uma vida digna.



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